O retorno sem volta da brasileira Paula O.

admin | 9:31 pm | março 11, 2010 | Suíça

Paula-mentira deve abandonar definitivamente a Suíça”, titula o site do jornal popular Blick. “Expulsão depois de ataque simulado de supostos nazistas”, escreve o sisudo NZZ Online. “Sem perdão para a brasileira condenada”, anuncia o site do Bieler Tagblatt. O jornal gratuito 20 Minutos simplesmente utiliza um nome velado da pessoa que se transformou em sinônimo de um dos capítulos mais obscuros da imprensa: Paula O.

Na swissinfo anunciamos também o derradeiro capitulo na saga da jovem recifense, depois de ter acompanhado em 17 de dezembro de 2009 seu julgamento em um tribunal de Zurique. Muito mais surpreendente que a condenação de Paula O., foi seu pedido de continuar a viver na Suíça mesmo assim. Ela argumentou à juíza que não tinha mais condições de viver na sua pátria de origem depois do circo midiático armado com o seu nome. “Ela perdeu tudo. Como poderá voltar a trabalhar e ter uma vida normal depois de tudo que passou”, explicou seu pai ao repórter.

Seus argumentos não foram aceitos pelas autoridades de Zurique. O visto já expirado não ganhou sobrevida. Nos próximos dias Paula O. deve estar embarcando em direção ao Brasil. Não posso imaginar que uma pessoa como ela, com um diploma de advogado e experiência internacional, não consiga arrumar um emprego, sobretudo com os contatos que tem nas mais altas esferas. Ninguém levaria em conta seus problemas psicológicos.

Esses contatos foram tão efetivos, que até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a intervir para criticar (injustamente) a Suíça. Muitas pessoas aqui esperam até hoje uma retratação oficial das autoridades brasileiras. Ou pelo menos um sincero “ô gente, foi mal” e alguns tapinhas no ombro.

A foto acima foi tirada por mim hoje em Zurique. Ela mostra a fonte congelada de um parque nas proximidades da Ópera. Além de nevar, também ventava como em uma estação polar. Enquanto lia as manchetes relativas à Paula O., pensava no seu retorno à Recife. Se estivesse na sua pele, iria amanhã mesmo a Porto de Galinhas. Sentaria-me na primeira barraca de praia, pediria uma água de coco e um prato de camarão crocante. Então fecharia os olhos…e esqueceria todo esse pesadelo.

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