Cuidado ao falar de solução final!!!
admin | 6:12 pm | março 5, 2010 | Política

O cartaz acima é um documento histórico: trata-se do documentário "O Judeu errante" (Der ewige Jude), dirigido pelo cineasta Fritz Hippler a pedido do ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, em 1940. Ele mostra as condições sub-humanas em que viviam os habitantes dos guetos judeus em Lodz, Varsóvia, Cracóvia e Lublin (Polônia), explicadas pelas condições impostas pela ocupação nazista. O objetivo na época era provocar entre os alemães sentimentos de repulsão e facilitar, dessa forma, o Holocausto.
"Judeu errante" é um também um personagem mítico, que faz parte das tradições orais cristãs. Ele teria sido amaldiçoado por Jesus, após escutar suas agressões verbais quando carregava a cruz, a vagar eternamente pelo mundo até o fim dos tempos.
Essa e outras expressões foram catalogadas agora pela Fundação contra Racismo e Antissemitismo (GRA, na sigla em alemão), um órgão suíço dedicado à luta pela tolerância e contra toda forma de discriminação no país, em uma espécie de dicionário das palavras "carregadas".
Para quem entende alemão, sabe que o termo "Sonderbehandlung" (que significa em português simplesmente "tratamento especial") não pode ser utilizado em outro contexto que o Holocausto. Ele era um eufemismo dos nazistas para evitar falar pura e simplesmente de execuções nos seus comunicados oficiais. "Endlösung" (Solução final) era a decisão de erradicar a população judaica da Europa. Já "Mischling" (misturado) é um termo pejorativo que se aplica a filhos de europeus e não europeus. Na época do nazismo, eram os filhos de judeus com alemães.
O dicionário do GRA já tem 80 termos. Todos costumam ser utilizados indolentemente por jornalistas, escolares ou ate políticos sem lembrar-se da carga histórica que carregam. Pessoalmente, a palavra mais forte para mim é "Überfremdung", que é quase impossível de traduzir do alemão. Trata-se do sentimento que muitas pessoas têm de achar que seu país foi invadido por estrangeiros e que, por isso, pode perder a sua segurança e identidade. Por incrível que pareça, o termo é uma invenção suíça de 1900, quando também muito se debatia a questão da imigração. Na época, apenas 10% da população do país dos Alpes era estrangeira. Hoje já são 21,7%.
Fonte da imagem: Arquivo alemão







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