Ciclista no Salão do Automóvel em Genebra

admin | 6:48 pm | março 3, 2010 | Economia

Visitei ontem o 80° Salão do Automóvel em Genebra. Não posso dizer que tenho uma paixão inaudita pelo tema. Afinal, minha vida de automobilista está longe do glamour vivido pelos pilotos de Fórmula 1 ou nos clubes de car tuning. Eu só conheci engarrafamento, multas e uma dezena de acidentes causados, em grande parte, pela minha total dispersão no trânsito. Sou um verdadeiro perigo nas pistas!

Meu maior sonho seria viver uma espécie de revolução "verde", mas não a preconizada pela indústria automobilística com seus novos veículos híbridos ou de motor elétrico. Seria um novo Mao Tsé-Tung imperando no globo. Ele declararia a utilização obrigatória de bicicletas para a nossa locomoção, incluindo viagens interestaduais. Conseguem imaginar a Av. Paulista ou a Nossa Senhora de Copacabana lotada de ciclistas? Não seria mais agradável o barulho das sinetas? Pelo menos eu iria abrir a janela pela manhã e respirar um ar mais puro.

O Salão do Automóvel é um strip-teaser da tecnologia. Nem as pernas roliças das modelos conseguem chamar mais atenção do que os protótipos futuristas dos veículos. Vi jornalistas quase chorar no momento do engenheiro abrir o capô do novo Lamborghini e exibir o monstruoso motor. Com meus botões pensei nas centenas de cavalos dessa máquina furiosa desembestando em velocidade da luz sobre uma Autoban alemã. O problema é que elas também estão congestionadas nos dias de hoje. 

Mas eu não sou perfeito e tenho também meus sonhos. Quando passei ao lado do estande da Rolls-Royce, os dois "R" superpostos e reluzentes me atraíram como sereias. Não foi num carros desses que a Lady Di desfilou pelas ruas de Londres no dia do seu casamento? Na mesma hora pedi para a bela modelo abrir a porta do Rolls-Royce Ghost e deixar me aconchegar nele por alguns minutos.

A limusine é um verdadeiro glutão: 23,3 litros de consumo para 100 quilômetros rodados. Mas o cheiro do couro novo sobe ao nariz. Sob os pés, um tapete felpudo como pelo de gato angorá. O acabamento perfeito. No banco de trás, um luxo eletrônico de cama de motel: toca-cds, toca-dvds, monitores de cristal líquido, alto-falantes, controle de luz, temperatura e outros detalhes. Esse castelo sobre rodas custa nada mais, nada menos, do que 250 mil euros.

Quando saí do veículo, pisei de novo na terra. Esse não é um veículo de transporte, mas sim de prestígio. E segundo informa o atendente, é um brinquedo para o executivo que dispensou motorista. Seria sinal da crise? Por isso o conforto também passou para o banco da frente.

Agora, caros leitores, vocês querem saber qual seria o único veículo capaz de substituir a minha boa e fiel bicicleta? Seria o Smart Fortwo Electric Drive que vocês veem na imagem abaixo. Ele pode ser abastecido em qualquer tomada comum. Meu sonho agora é que lancem esse modelo na série "pedal", para eu mesmo poder impulsioná-lo. Meu combustível: cerveja. 

P.S: amanhã publico minha reportagem sobre o Salão do Automóvel.

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