Minha experiência de morador de rua…no inverno
admin | 6:16 pm | janeiro 11, 2010 | Economia

Durante o inverno existem temas que são sempre abordados pela imprensa. Um deles é a questão dos moradores de rua. Só na Alemanha morreram dez pessoas nos últimos dias por estarem dormindo ao ar livre, apesar das temperaturas siberianas das últimas semanas.
Aos leitores cientes do amplo sistema de assistência social existentes em muitos países da Europa do norte, dou o braço a torcer: de fato, ninguém precisaria dormir nas calçadas, sobretudo nessa época do ano. Existem diversas redes de amparo como alojamentos emergenciais, asilos mantidos por igrejas e outras organizações caritativas e até mesmo navios ou albergues da juventude. Além disso, essas pessoas recebem também uma quantia mínima de dinheiro para garantir a sua sobrevivência.
Porém os problemas do morador de rua aqui são diferentes dos do Brasil. Muitos deles consideram-se fora da sociedade. Para eles é difícil aceitar as regras de muitas instituições, que proíbem o consumo de álcool ou drogas, trazer cães para os alojamentos e os horários de abertura e sono. Também o medo de violência nos abrigos coletivos é grande. No final, muitos preferem se virar sozinhos na noite e dormir em algum lugar protegido nas ruas. Para enfrentar o frio de até – 15 graus negativos, um cobertor, o calor do cachorro e bastante álcool.
Um repórter do jornal suíço Tagesanzeiger tentou passar uma noite de morador de rua em Zurique. No seu texto ele mostra como foi enxotado todas as horas pela polícia ou proprietário dos imóveis. A história me lembrou da minha única experiência de desabrigado.
Era estudante e havia perdido o último trem que me levaria de Rostock, ao norte da Alemanha, de volta à Berlim. Sem dinheiro e em pleno inverno, procurei por todos os lados um local para descansar até às seis horas da manhã, quando então sairia o primeiro trem. Não havia sala de espera. Quando o último bar da cidade fechou, me encontrei no frio e sem alternativas. Então entrei em trem parado na estação, torcendo para que ninguém me descobrisse dormindo em cima de um banco. Fui acordado apenas pela limpeza, mas que me alertou para os perigos do local: além da polícia, Rostock era o paraíso dos skinheads, loucos para dar porrada em estrangeiros como eu…e moradores de rua. Não consegui mais pegar no sono.
Quem se interessa pelo tema, recomendo uma reportagem do famoso jornalista alemão Günter Wallraff (o mesmo do livro Cabeça de Turco). O vídeo começa aí embaixo…







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