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Khadafi está louco ou é conflito interno?0 Comments

admin | 8:08 pm | fevereiro 26, 2010 | Política

 

Ontem o líder líbio, Muamar Khadafi, chamou mais uma vez a atenção da mídia internacional com uma das suas ideias extravagantes. Em discurso, ele convocou todos os muçulmanos do mundo a uma "Guerra Santa" (Jihad) contra a Suíça. Como argumento, o coronel citou a proibição dos minaretes e pediu o boicote de todos os produtos helvéticos.

Curiosamente a notícia foi destaque na imprensa ocidental, mas praticamente ignorada nos veículos árabes. Os canais de TV conhecidos como a al-Jazeera ou al-Arabija deram pouca atenção ao chamado, assim como também a Suíça não chegou a ser citada no site da agência oficial líbia Jana. Já na Suíça os jornais debatiam amplamente o assunto, tentando entender o que se passa na cabeça de Khadafi.

Para os analistas, as "loucuras" do líder líbio tem uma razão: trata-se de manobras na política interna do país. Depois da humilhação passada pelo clã dos Khadafi com a prisão do filho Hannibal (já falamos sobre o tema no blog) em Genebra no ano passado e a publicação da sua foto como prisioneiro em um jornal suíço, o líder tem de mostrar para seus adversários que é capaz de restaurar a imagem do país.

Já para o cientista político Reihnhard Schulze, da Universidade de Berna, existe também uma briga interna na família Khadafi na disputa pelo poder. Enquanto Hannibal mostrava-se solidário na imprensa com o suíço Max Göldi, retido como refém até hoje em uma prisão líbia, outros membros atacam fortemente o país dos Alpes. A contradição explica-se pelo fato do irmão mais velho de Hannibal, Saif-al-Islam, ter sido declarado quase um sucessor oficial do pai. Agora é a questão de saber quem irá tomar as rédeas da Líbia em mãos quando Muamar Khadafi decidir passar o cetro.


Como evitar pensamentos suicidários na Suíça0 Comments

admin | 3:07 pm | fevereiro 24, 2010 | Divertido

Estou longe de ser um suicidomaníaco, mas a chuva e o frio em Berna estão me levando aos mais estranhos pensamentos. Acho que todos os imigrantes brasileiros que, como eu, conseguiram escapar durante algumas semanas de férias na terrinha das agruras do inverno, têm dificuldades de se readaptar. Lembro que vivo em um país com um dos maiores índices mundiais de suicídios cometidos por armas de fogo

Como já vivo há alguns anos no "exílio", fui obrigado a desenvolver algumas estratégias para espantar o baixo astral. A primeira dela é visitar a loja Globus Delicatessa, cujas prateleiras têm o maior estoque de iguarias de todo o país, e admirar sua grande oferta de chocolates. Infelizmente são todos muito caros. Meu orçamento permite, pelo menos, comprar uma barrinha com 80% de cacau, dose cavalar de otimismo na minha corrente sanguínea.

Depois procuro algumas ofertas. É final da noite e até mesmo a Globus costuma se livrar de algumas das suas guloseimas. Uma delas é o pratinho de sushi, com um desconto de 50%. No copo, suco de maçã com água mineral – muito mais saudável do que Coca-Cola. E para divertir os olhos, o jornal gratuito vespertino Blick am Abend.

Ao ligar o computador, dou uma olhada na garota do dia no site do jornal Blick.ch. E não é que hoje ela é uma brasileira, gatinha de 19 anos de idade! Clique AQUI para ver suas fotos.

E antes de pular para cama, ainda assisto o videoclipe "Reggae Night" do Jimmy Cliff, uma bomba de alto astral que me leva a um local provavelmente tão alegre como a Bahia. Boa noite a todos!!!! 

 


Descobri o mistério de PC Farias durante as férias0 Comments

admin | 5:18 pm | fevereiro 22, 2010 | Divertido

 

Aqui estou, caros leitores! Ao contrário do que muitos pensavam este blog não morreu. Durante quase cinco semanas estava gastando as minhas férias regulares em uma viagem para recarregar as baterias sob o sol nas praias de Maceió – ô terra boa – e o céu anil nos descampados de Brasília.

Ao sair do frio, encontrei a calorosa recepção dos alagoanos. Em meio aos caldinhos de feijão e muitos litros de água de coco, batia papos animados com vendedores ou pescadores nas praias sobre as coisas da sua terra. Um deles quis desvendar para mim um dos grandes mistérios da crônica policial brasileira: a morte de PC Farias na sua residência à beira da praia. Quem foi o ator do crime? Sua resposta não poderia ser mais surpreendente: – "Foi a sua amante, que o matou com o revólver e depois se suicidou com um tiro na cabeça e outro no coração.”

E o humor brasileiro não parava por aí. Quando visitava o Memorial JK em Brasília, vivi uma visita oficial inesperada do vice-governador do DF em pessoa. Até então, o governador José Roberto Arruda ainda mantinha seu cargo, pedindo perdão para todos os seus detratores. Em poucos minutos agentes da PF estariam levando as suas algemas e desencadeando um verdadeiro festival de criatividade nas marchinhas dos blocos carnavalescos da cidade.

Paulo Otávio chegou acompanhado da sua esposa, Anna Christina Kubitschek Barbará A. Pereira, para guiar alguma autoridade estrangeira através dos recintos do mausoléu. Enquanto isso, os funcionários estavam perfilados e estáticos frente às portas e corredores como se fossem soldados do Palácio de Buckingham. Seus ternos brancos eram grandes demais.

Se já não fosse cômico o suficiente o cenário, resolvi brincar com a copeira do café no memorial ao pedir um suco de pitanga e (sussurrando no seu ouvido) um grande panetone para dividir com o estadista candango casado com a neta do famoso ex-presidente. Ela riu, correu à cozinha e pude até escutar algumas gargalhadas saindo de lá. Em poucos minutos ela voltou e disse: "Infelizmente roubaram toda a farinha".

Mas o que era doce se acabou. Voltei à Suíça e volto aqui, nestas linhas, a contar diariamente causos e coisas interessantes do país alpino para os leitores que gostam de ver como é viver além das fronteiras do nosso patropi.

E hoje já me surpreendi ao descobrir que a Suíça acabou. Vocês não acreditam? Pelo menos é o que afirma um artigo publicado no atual número da revista americana Newsweek (clique AQUI para ler). Nele o autor destaca problemas econômicos, racismo crescente e a sujeira das suas cidades para provar a decadência da brava nação alpina.

Se fosse brasileiro, o jornalista teria pelo menos contado uma piada… 

Foto: retorno à Berna sob chuva e frio…


2010 Alexander Thoele - Switzerland