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admin | 11:47 am | outubro 18, 2009 | Cultura

Ontem cobri o desfile dos 323 suíços através das ruas de Nova Friburgo. Foi emoção pura, não só para eles próprios, mas também para mim e a população presente nas ruas da av. Alberto Braune. Raramente presenciei na vida um encontro tão especial: a de dois povos que se crêem realmente irmão pela história. E é preciso lembrar que neste aspecto, ela fala do período de miséria e fome que levou dois mil colonos helvéticos a procurar sua sorte nas terras dadas por D. João VI no alto das montanhas fluminenses. E detalhe: uma parte deles morreu no meio do trajeto.
Escrevi uma grande reportagem para a swissinfo (clique AQUI para ler) e também uma bela galeria de fotos (clique AQUI). Em um momento onde os dois países têm uma visibilidade tão negativa na mídia internacional (a Suíça e seu sigilo bancário e o Brasil com a criminalidade), essa história mostra que é possível escrever notícias positivas. Não é sempre que três centenas de pessoas se deslocam em uma viagem transatlântica só para venerar os descendentes dos seus antepassados.
O mais engraçado ontem foi ver como as diferentes culturas podem se fundir tão bem: a música folclórica helvética, com seus cornes dos Alpes e o estranho ritmo da chamada "Guggenmusik" (alguns acham que é um samba do crioulo doido), e os ritmos quentes das escolas de samba friburguenses. E quando a passista juntou-se a uma suíça com seus trajes folclóricos, descobri que ninguém precisa ter o mesmo idioma para se compreender. As duas deram um "show" no meio da avenida.
E de um velhinho originário de Itaperuna, descendente de um desses colonos e hoje com uma penca gigantesca de netos e bisnetos, recebi até um poema. Suas primeiras estrofes diziam: "Parecia um grande sonho. Hoje é realidade. Os nossos irmãos suíços nos abraçando em nossa cidade. Sejam bem vindos. O Brasil espera com alegria. Nossos irmãos suíços. Festejando esse grande dia"…
Queria que todos os dias fossem como esses.
admin | 11:58 am | outubro 15, 2009 | Cultura

Parece um pico da Suíça, mas não é. Quem adivinha o nome da bela montanha? Não é o Eiger nos Alpes. Sim, acertou! A Pedra do Cão Sentado, em Nova Friburgo. É para essa cidade que estou viajando hoje com a missão de cobrir o encontro de 323 suíços do cantão de Friburgo e a população friburguense entre 16 e 24 de outubro.
No site da swissinfo já criei até uma página especial (CLICAR AQUI) para colocar as reportagens e contar também um pouco da história da colonização suíça. Será uma grande festança. Estou bastante curioso para ver como os europeus irão descobrir as terras tropicais, onde seus antepassados um dia fizeram fortuna ou caíram na pobreza.
O jornal local do cantão, o "La Liberté", criou até um blog especial (CLICAR AQUI) para cobrir os eventos, dos quais se destacam desfiles pela cidade, apresentações de grupos folclóricos e carnavalescos (sim, existe carnaval na Suíça), festas e outros encontros interessantes como a visita à queijaria-modelo ou colônias agrícolas no interior do estado.
Prometo colocar aqui no blog algumas das impressões desses momentos, apesar de estar fugindo do meu tema principal, a cobertura sobre os acontecimentos no país dos Alpes. Mas do jeito que estou com saudades da terrinha, acho que vou chegar no aeroporto já beijando o chão como o Papa e devorando a primeira picanha que encontrar pela frente. Já cansei de fondue
admin | 10:11 pm | outubro 14, 2009 | Cultura, Divertido

Hoje li uma história de arrepiar os cabelos. Segundo o Basler Zeitung, malandros internacionais estão utilizando sites de namoro para arrancar dinheiro dos solitários e nostálgicos do amor.
O golpe é simples. Em primeiro lugar, as mulheres de meia idade (jovens não têm patrimônio) colocam seus anúncios no popular site suíço de namoro Friendscout24.ch. Depois os espertalhões lhes escrevem declarando ser um oficial americano de posição elevada, viúvo depois do ataque de 11 de setembro de 2001, aposentado e desesperadamente à procura de uma nova parceira. Elas são conquistadas após o primeiro contato através de vários e-mails e chats românticos.
A foto utilizada é a de John P. Abizaid, ex-comandante das operações dos EUA no Oriente Médio, Ásia e África e um dos mais jovens militares americanos a ganhar as 4 estrelas. Então o suposto general conta ter recebido um presente de 500 mil dólares no Iraque, mas precisa de ajuda para transferir o tutu aos Estados Unidos. A mulher só precisa dar cinco mil dólares a um diplomata iraquiano enrolado em algumas complicações burocráticas. A transferência pode ser feita sem problemas pela Western Union para uma conta na Suécia.
A mulher que revelou o golpe aos jornais não caiu na história. Porém achei-a bastante interessante. Hoje em dia é cada vez mais comum encontrar o amor através de vários sites. No Fórum Brasil Suíça publicaram uma longa lista (clique AQUI) de sites de encontros utilizados por brasileiros e brasileiras para encontrar, inclusive, namorados estrangeiros. Todas são muito boas e interessantes, mas é preciso também tomar certas precauções. A segurança é a primeira delas.
Interessante foi uma entrevista que fiz em 2003 com o dono de uma agência matrimonial especializada em mulheres búlgaras. Ele explica as vantagens de encontrar parceiros através de catálogos e anúncios. Em sua opinião, a fórmula garantida para evitar o divórcio e muitas decepções. Curiosos? Cliquem AQUI para ler o artigo…
admin | 10:03 pm | outubro 13, 2009 | Cotidiano

Na Suíça, licença-maternidade dura apenas 14 semanas. Já para o papai a situação é um pouco pior: se ele tem a sorte de trabalhar para uma empresa “progressista”, ganha alguns dias livres, talvez até uma semana. Nesse ponto o Brasil é realmente um país moderno com seus seis meses de licença-maternidade. Só não se lembrou do sexo “forte”.
Como é possível que um país tão rico como a Suíça esqueça as famílias? “Ela gasta apenas 1,3% do seu PIB com as medidas de acompanhamento e apoio familiar”, justifica Jürg Krummenacher, presidente da Comissão Federal para Questões de Família. Já a Áustria gasta três vezes mais e a Dinamarca até dez, lembra o especialista.
Um dos melhores países para os papais que sonham em poder abandonar o batente por alguns meses para acompanhar seus bebês é a Suécia: pai e mãe podem ficar em casa – dividindo esse tempo como quiserem – por até 480 dias, continuando a receber 80% dos respectivos salários. O modelo é um sucesso, pois 69% dos pais suecos aproveitam a oportunidade. Outro país escandinavo também é um modelo mundial: a Finlândia. Lá a lei obriga que a mãe ou o pai tirem pelo menos três meses de férias para cuidar dos seus rebentos.
Na Suíça, é comum para o casal dividir as tarefas: enquanto um trabalha, outro cuida das crianças, sendo que é quase sempre a mulher a tomar essa posição. Posteriormente ela arruma uma ocupação a tempo parcial (dois dias de trabalho por semana). Esse modelo tradicional é incentivado pelo sistema fiscal e preços elevados das creches.
No Brasil, homens e mulheres precisam trabalhar como loucos para manter o nível de vida, sobretudo na classe média. O resultado é que as crianças passam a maior parte do dia na creche ou sob o cuidado de babás. Durante a semana, muitos amigos meus só vêm o bebê no berço, depois de enfrentar o trânsito e chegar em casa no final da noite.
Se eu pudesse ter escolhido, teria passado um ano com cada uma das minhas filhas. Em comparação com a dura e seca vida dos escritórios, não existe nada melhor e mais prazeroso do que estar com suas próprias crianças…
admin | 10:29 pm | outubro 12, 2009 | Divertido, Vídeos

Aos leitores que comentaram o último post sobre a Paula Oliveira, posso dizer que ela, assim como eu, já estamos vivendo o processo terrível de adaptação ao longo período de frio aberto pelo outono no norte do globo. Para os brasileiros, sobretudo os nordestinos e cariocas, é como se fosse o início da “Era do Gelo”.
Ontem o frio noturno trouxe mais de 40 centímetros de neve para as regiões acima dos dois mil metros na Suíça. Na foto, o desfiladeiro de Klausen, na Suíça central. O gelo cobrindo a pista obrigou a polícia a bloqueá-la, assim como outros passos nas montanhas: Gotthard, Lukmanier e Grimsel.
Eu e a Paula já estamos pensando com nostalgia no início de abril de 2010, quando então as condições climáticas irão melhorar. Com o calor da primavera, vou poder tirar os panos dos pés amarelados quase pútridos e colocá-los nas havaianas já cobertas de pó. E durante o Natal, enquanto meus amigos estarão vendo o Papai Noel de sunga no Posto 9, estarei vendo a chuva da janela do apartamento e o termômetro marcando 2 graus. Se brincar, irei cantar “Noite Feliz” até a polícia aparecer. Contam que as delegacias se enchem de loucos nessa época do ano.
Mas só brasileiros é que reclamam do frio. Meus colegas suíços estão já ansiosos pela neve. Em breve, as montanhas estarão cheias de esquiadores e jovens sobre snowboard. E enquanto ela não vem, vejam abaixo como os mais corajosos matam o tempo nas montanhas….Inacreditável….
admin | 3:15 pm | outubro 9, 2009 | Cotidiano

Alguém se lembra da Paula Oliveira? A última nota sobre ela foi publicada aqui no blog em maio. Vasculhando a internet encontrei, para minha grande surpresa, um registro fotográfico dela. Porém olhando com mais atenção, descobri que se tratava de um folião animado no carnaval carioca de 2009. Seguramente deve ter ganhado o prêmio de criatividade pela estranha fantasia.
Aos leitores curiosos, tenho uma informação: sim, a moça brasileira que ficou tristemente célebre no início de fevereiro ao simular um ataque de skinheads e aborto em um subúrbio de Zurique ainda está na Suíça. A informação foi publicada nesta semana pelo site do jornal Tagesanzeiger e confirma apenas o que eu já havia checado nos últimos meses.
O porta-voz da Procuradoria de Zurique explica que o caso de Paula é extremamente complicado e exige perícias psiquiátricas, que apenas poucos especialistas no país são capazes de realizar. Ao jornal e a mim mesmo, Rainer Angst apresentou esse argumento para justificar a grande demora, mas ressaltou que "o caso deve ser concluído ainda este ano". O resultado da perícia é, segundo ele, extremamente importante para esclarecer se a brasileira estava em sã consciência ao cometer o crime.
Angst revela que Paula Oliveira continua na Suíça e impedida de sair do país devido ao confisco do seu passaporte. Após a conclusão do parecer, existem vários cenários: ela pode ser condenada a pagar multa, sofrer processo e ser até condenada a passar por um tratamento. Porém o juiz pode também absolvê-la caso os elementos recolhidos levem à conclusão de sua inocência.
Seu advogado na Suíça, Roger Müller, não quis dar informações. Eu também fiz vários contatos por e-mail, mas nunca obtive resposta. A informação clássica é "que não há novidades". Também meus colegas jornalistas em Recife escreveram dizendo que a família de Paula Oliveira recusa qualquer contato com a imprensa.
Foto: Boit Tatá, Carnaval 2009, Rio. Bruno Natal no Flickr.
2010 Alexander Thoele - Switzerland