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admin | 5:01 pm | setembro 30, 2009 | Economia

Hoje entrevistei Nicolas Hayek, o criador do famoso relógio Swatch e fundador do grupo com o mesmo nome. A conversa telefônica foi incentivada pelos artigos publicados recentemente na imprensa brasileira, que falavam da suposta vontade do empresário de voltar a investir “até 100 milhões de dólares” no Brasil depois da grande decepção em 2002. Foi o ano em que ele mandou fechar a fábrica da Tissot de Manaus em 2002.
Alarme falso! Na entrevista (clique aqui para ler), o empresário reclamou da corrupção generalizada e disse que só voltaria a colocar dinheiro na nossa terra se o presidente Lula convidá-lo para uma conversa a dois. As condições são claras: elas devem ser as mesmas que vigoram nos países “civilizados”. Hayek considera que houve “melhoras” no Brasil, mas como bom libanês (país onde nasceu), ele é desconfiado e prefere deixar as coisas claras.
Apesar dos 81 anos, o famoso empresário continua lúcido e cheio de idéias. Seu filho dirige as empresas, mas é ele que dá o tom como mostra a interessante foto acima: Nicolas Hayek (esq.) e o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge (centro) e o presidente da Omega, Stephen Urquhart (esq.). Ao fundo está o filho, Nick Hayek. E a Omega é apenas mais uma das marcas do grupo. A foto foi tirada na assinatura do acordo de cooperação que garante à marca suíça de relógios a cronometragem das Olimpíadas até 2020.
Ao ver que suas empresas tiveram em 2008 o faturamento de quase 6 bilhões de dólares, acho que o Lula faria um bom serviço ao país de convidar o velho Hayek, oferecer-lhe uma boa cachaça mineira e dizer: “Sim, queremos vocês e garantimos que dessa vez não haverá maracutaia”. Sonho meu?
admin | 3:59 pm | setembro 29, 2009 | Cotidiano, Vídeos

Como informa a imprensa, os advogados de Roman Polanski entraram com recurso contra a sua prisão em Zurique. Agora um tribunal federal suíço em Bellinzona tem dez dias para tomar uma decisão. A possibilidade de pagar caução para aguardar em liberdade o embate jurídico que poderá levar a sua extradição aos Estados Unidos existe, mas é muito remota. Como as autoridades explicam, o cineasta polonês não tem residência fixa na Suíça, ou seja, o perigo de uma nova fuga é considerável.
Porém Polanski é um grande fã do país dos Alpes. Há mais de 40 anos ele freqüenta as montanhas do cantão de Berna, onde possui há um ano um belo chalé na região de Gstaad. A casa tem o pomposo nome de “Milky Way” e pode ser vista na foto acima. Como informa o jornal Blick, o franco-polonês é visto sempre nas ruas e cafés do fino vilarejo, sendo considerado uma pessoa “discreta” e “simpática”. Ele chegou a passar dois meses do último verão no local.
A imprensa helvética é menos piedosa com Polanski. O “Le Temps” lembra que “mesmo um grande cineasta não está acima da Lei”. O jornal francófono lembra que o ato sexual com uma pessoa menor de 16 anos é um delito grave, mesmo se a vítima consentiu o ato. Além disso, o eleitor helvético aprovou nas urnas em novembro de 2008 a não prescrição de crimes ligados ao abuso sexual de menores de idade. O mesmo vale para os Estados Unidos pelo fato do cineasta ter fugido antes do julgamento.
Porém outros editorialistas questionam a validade – ou “conveniência” – da detenção de Polanski. O “NZZ” considera completamente justa a atuação das autoridades, mas lança uma questão complicada: por que nos últimos anos nenhum país europeu prendeu o cineasta, apesar de este trafegar livremente por vários deles desde os anos 1970? As dúvidas são fortes.
“Parece pouco convincente o argumento de que os Estados Unidos tenham feito pressão sobre a Suíça, assim como a possibilidade desta tirar vantagem dessa prestação de serviço às autoridades americanas”, escrevem. Ao contrário, segundo o jornal de Zurique, “é pouco provável que a America tenha grande interesse em reabrir um caso capaz de revelar diversos erros jurídicos já documentados”.
Também nos Estados Unidos se escutam críticas semelhantes. O “Los Angeles Times” lembra que o Estado da Califórnia vive hoje uma situação dramática de cortes nos orçamentos do seu sistema carcerário e da libertação, obrigada por autoridades federais, de mais de 40 mil detentos das prisões devido à superlotação. A questão: “É válido gastar os poucos dólares restantes dos contribuintes para colocar Roman Polanski, após tantos anos, atrás das grades?”.
Para a Suíça a situação começa a se tornar um pouco embaraçosa. Questionada por jornalistas, a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, declarou que “faltou um pouco de tato”. Ela não foi informada da operação com antecedência e agora enfrenta a ira de artistas e representantes dos governos da França e da Polônia. Porém ressalta, assim como sua colega, a ministra da Justiça e Polícia Eveline Widmer-Schlumpf, que a prisão de Polanski foi, do ponto de vista jurídico, absolutamente correta. O acordo de cooperação com os EUA não oferece brechas ou exceções.
O fato concreto é que a polêmica tem trazido à tona várias lembranças do passado. Uma delas voltou a ser exibida em todos os jornais: a primeira entrevista de Roman Polanski à opinião pública americana desde a sua fuga dos Estados Unidos. Datada de 1987, o vídeo mostra como o cineasta considerava o ato sexual cometido contra a jovem de 13 anos. “Eu sei agora que foi um erro, mas aconteceu simplesmente”, declarou. Depois: “Na época tinha dificuldade para me convencer de que isso era um erro. Eu pensava simplesmente que ninguém havia se ferido”.
À jornalista, o cineasta se mostrou como vítima de uma guerra cultural. Ao mesmo tempo, ele estava tendo um caso com a atriz Nastassja Kinski, na época com dezesseis anos.
Ao ser questionado sobre sua paixão por meninas muito jovens, Polanski se enfurece. Ele qualifica os americanos de “hipócritas” e defendeu a relação. “Nós vivemos a nossa vida. Ninguém se feriu. Eu não compreendo isso: por que devo ser punido pela minha paixão por jovens mulheres?”.
O vídeo está aqui:
admin | 3:33 pm | setembro 28, 2009 | Cotidiano, Vídeos

O mundo inteiro não fala de outra coisa: a prisão de Roman Polanski ao desembarcar em um aeroporto de Zurique, onde iria receber um prêmio pelo conjunto da sua obra em um festival da cidade (clique AQUI para ler a matéria que escrevi). Justa ou não, a questão é que, mais uma vez, a Suíça está na boca do povo.
Como todos sabem, o próprio cineasta confessou ter tido relações sexuais com uma menina de 13 anos nos Estados Unidos. Antes de aguardar o julgamento, ele fugiu à Europa e nunca mais colocou os pés em solo americano. Mais de trinta anos se passaram, e hoje a mulher o perdoou. Porém as engrenagens da justiça continuam rodando e o famoso Polanski pode passar o resto dos seus dias em um cárcere californiano.
Aqui no país dos Alpes muitos criticam o comportamento da polícia e dizem que a prisão é apenas mais um “presente” aos Estados Unidos, junto com os dados de 4.450 correntistas americanos do banco UBS, supostos de terem cometido evasão fiscal. Não é à toa que um manifestante pregou na porta do cinema em Zurique um cartaz com os seguintes dizeres: “Dê a eles o sigilo bancário e não Polanski”.
Outros aplaudem, ressaltando que todos, inclusive uma celebridade como Polanski, são iguais perante a Lei. Lembrando que já vi o ministro suíço da Defesa e sua esposa serem barrados na porta de um restaurante por não terem feito a reserva com antecedência, acredito muito nessa afirmação. Em poucos países no mundo as autoridades são tratadas com tanta indiferença como no país dos Alpes.
Eu deixo aqui ao leitor de julgar. Só gostaria de dizer que a cela de Polanski em uma prisão regional de Zurique oferece até certo conforto, como mostra a foto acima (Tagesanzeiger). O cineasta recebe três refeições por dia, tem uma hora de passeio por dia e, se quiser, pode até trabalhar. Uma televisão também está disponível. Assim ele não perderá a cerimônia de entrega dos prêmios no Festival de Cinema de Zurique. Aqui no blog já publiquei alguns posts sobre o conforto das prisões helvéticas (clique AQUI para ler).
Abaixo está o trailer de um documentário do canal americano HBO sobre o caso “Polanski”. Não sei se ele está disponível na internet.
admin | 2:47 pm | setembro 25, 2009 | Política

O voto é a arma na mão dos eleitores. A dos suíços tem boa pontaria e…atira de verdade.
Uma das grandes vantagens do país dos Alpes em relação ao resto do mundo é o seu sistema único de democracia direta. No domingo (27/09), os eleitores da cidade de Genebra terão de riscar o "X" em 10 questões na cédula: duas são de um plebiscito federal, seis de um cantonal (estadual) e duas municipais.
Um dos plebiscitos municipais desafia uma das instituições mais poderosas do mundo, também considerada por algumas ONGs e esquerdistas como o verdadeiro bastião do liberalismo globalizado: a Organização Mundial do Comércio (OMC). Nele, o eleitor tem de dizer se aceita ou não a construção de uma extensão da OMC sobre o estacionamento e criação de um muro "vegetal" de segurança no parque vizinho.
O que parece um simples problema administrativo tem, na realidade, grandes dimensões. A OMC está abrigada em um prédio chamado Centre William-Rappard, que foi construído em 1923 para abrigar na verdade a Organização Mundial do Trabalho (OIT), hoje localizada em outro espaço. Com a importância crescente do intercâmbio comercial entre os países – e conseqüentemente o número de disputas a serem mediadas, sem falar da ainda não concluída Rodada de Doha – a necessidade de mais espaço é cada vez mais premente.
Por isso a proposta de construir uma extensão ao prédio atual nos limites do estacionamento. O parque Barton, ao lado, ganharia um muro vegetal com 180 centímetros de altura circundando a área de segurança exigida pela ONU. Segundo os defensores da proposta, essa área facilitaria o bloqueio dos acessos à OMC a cada grande encontro, um trabalho necessário pela grande quantidade de grupos de manifestantes que geralmente costumam acompanhar as atividades da organização.
Caso o projeto seja vetado pelos 117 mil eleitores de Genebra (de uma população total de 188 mil), a situação ficará complicada para a OMC e o próprio cantão (estado) de Genebra. "Os dois terão então que negociar uma alternativa ao projeto", explica o porta-voz Philippe d’Espigne e completa. "Mas não podemos negar que a OMC necessita de mais espaço."
Em Genebra, a imprensa estrangeira acompanha a curiosa discussão com pouco interesse. "Porém deveríamos estar acompanhando o tema, pois se trata do futuro de uma grande instituição internacional que emprega cerca de 800 pessoas", comenta um jornalista inglês ao jornal "Le Temps". Este ainda ironiza. "Mas como explicar a um leitor em Sunderland a importância de um pedaço de grama às margens de um lago suíço, mesmo se os ingleses adoram os gramados."
Já para a própria Genebra, a decisão do voto é fundamental. Bem ou mal, apesar da falta crônica de residências e espaço nos limites da cidade, manter instituições internacionais do porte da OMC ou outras da ONU é uma questão estratégica. São mais de 41 mil empregos gerados direta ou indiretamente por elas, além do prestígio.
Foto do Hermano Nakata no Flickr
admin | 4:12 pm | setembro 24, 2009 | Cultura

No blog já falei do plebiscito marcado para ocorrer aqui em 29 de novembro. Neles os eleitores irão decidir se proíbem ou não a construção de minaretes no país. Talvez alguns dos leitores tenham a impressão de que a Suíça tenha se transformado em um país anti-islâmico. Pelo contrário…
“O céu sobre a Suíça é grande o suficiente. ‘Sim’ pela liberdade de religião. ‘Não’ para a iniciativa pela proibição dos minaretes” é a tradução da frase escrita no cartaz acima. Ele faz parte de uma campanha organizada por vários grupos, dentre eles a Fundação contra o racismo e antissemitismo e a Sociedade pelas minorias na Suíça. A imagem diz tudo: mesquita, igreja, sinagoga…e o sol ilumina todas.
A campanha foi elaborada gratuitamente por uma das agências de publicidades mais famosas na Suíça. Seu chefe, Frank Bodin, explicou à imprensa suas razões. “É sempre bom ter uma voz contrária. A iniciativa dos minaretes é tema no exterior e joga uma luz negativa sobre o nosso país. Já vimos isso na campanha das ovelhas da UDC (partido da direita nacionalista). De repente as pessoas nos viam como um país radical e isso contradiz as nossas tradições de neutralidade, abertura e engajamento humanitário.”
Fico feliz de ver esse tipo de engajamento. A grande maioria dos suíços é tolerante, assim como os brasileiros. Infelizmente em tempos de crise e violência política, muitos grupos aproveitam para acirrar as massas (isso vale para o Bin Laden também). Os interesses vão sempre além da fé. Lembro-me das cenas terríveis do bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutando e dando socos em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida na TV Record em 1995. As reações poderiam ter sido bem piores no Brasil se não fosse a nossa mania de levar tudo na piada.
Em todo caso, sou pela liberdade completa de religião. Contanto que os sinos estejam quebrados, os auto-falantes mudos, ninguém me entregue santinhos e que os muezins sejam mudos.
P.S: acho que no último parágrafo fui meio sem tato, segundo um leitor. Sim, sou pela liberdade total. A única coisa que me chateia são os sinos (enormes) da igreja vizinha. Eles tocam sempre às oito da noite e nos finais de semana pela manhã a uma altura equivalente ao de uma britadeira no ouvido. Quando vivia em São Paulo, existia algo pior: os auto-falantes da Universal quase arrebentando os tímpanos dos pedestres na rua mais movimentada da cidade, a Consolação…
admin | 12:16 pm | setembro 23, 2009 | Cotidiano

Outro dia desses a minha filha chegou em casa com um estranho retângulo de plástico na mão. Fui ver e descobri que se tratava de uma peça de dominó e também de um truque baixo da maior rede de supermercados da Suíça, a Migros.
Através da campanha intitulada “Dominomania”, ela oferece a cada compra de 20 francos (35 reais) um peça do jogo. No total são 36, das quais 26 retratam os cantões (estados) suíços e as restantes, atrações turísticas. Ao mesmo tempo, os colecionadores também podem ter acesso a um site com jogos, informações e até registrar a sua coleção.
Não que eu seja contra esse tipo de estratégia de marketing. Quem nunca colecionou as mini-garrafinhas de Coca-Cola ou procurou desesperadamente o palito premiado nos picolés da Kibon? Qual criança não gastou fortunas comprando as figurinhas para completar o álbum do filme “Guerra nas Estrelas” ou das seleções na Copa do Mundo de 1982? Eu gostava tanto dessas ações, que até cheguei a decorar todos os componentes do Big Mac para recitá-los na frente do caixa no McDonald’s perto da escola. O prêmio pelo vexame era uma simples Coca-Cola na compra de um hambúrguer.
Mas a questão é financeira. Segundo a Associação de Proteção ao Consumidor aqui na Suíça, o problema da ação do dominó está na curta duração da campanha: seis meses. “Isso significa que as pessoas interessadas em ter todas as peças, precisam gastar pelo menos 720 francos (1.261 reais) nos supermercados da Migros”, explicou Josianne Walpen.
E como vocês sabem, as crianças são fanáticas em colecionar qualquer coisa. Acho que irei escutar muito nos próximos dias…
2010 Alexander Thoele - Switzerland