![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
|
admin | 6:40 pm | agosto 31, 2009 | Economia

Estava ontem lendo meu jornal quando esbarrei em uma notícia curiosa. A crise econômica se agrava no mundo, mas o setor da hotelaria de luxo nem percebe. A prova disso: os dez mais caros hotéis do mundo aumentaram consideravelmente seus preços em relação ao ano passado.

E a Suíça? Como não poderia deixar de ser, o país dos Alpes também tem algumas dessas “pensões” exclusivíssimas. E para quem não acredita, o quarto de hotel mais caro do mundo está nas margens do lago de Genebra. Ele tem o pomposo nome de “Royal Penthouse Suite” e pode ser reservada no Hotel Presidente Wilson.

Eu já estive nele, caros leitores, mas não como hóspede. Na reportagem (clique AQUI para ler) escrita por mim em 2003, o gerente do estabelecimento abriu suas portas para que eu visse com meus olhos os deleites na vida de xeques árabes, filhos de ditadores (Kadafi) e outros bilionários. Sao mais de 1.600 metros quadrados de puro luxo: quatro quartos de dormir, seis banheiros, gigantescas TVs de tela plana, mármore, sala de jogos e outros requintes nunca imaginados por nós, pobres mortais.

Calma, calma, eu ainda não disse o preço. Se segurem: 65 mil dólares a diária! O segundo colocado é quase uma pechincha em comparação: 35 mil dólares, o quarto mais caro no Hotel Four Seasons em Nova Iorque. Agora duro é descobrir que uma princesa árabe (apenas a segunda esposa) já alugou essa suíte de um andar inteiro em Genebra e mais outro quarto no mesmo nível. Nele ela guardava as “comprinhas” feitas durante a estadia na cidade de Calvino….

P.S: Graças à crise também já me hospedei em um hotel de luxo. Minha experiência até virou post no blog.
admin | 8:40 am | agosto 29, 2009 | Suíça

Acredito que muitos dos leitores do blog "Do topo dos Alpes" também sejam fãs como eu das caminhadas na natureza. Quando vivia no Brasil adorava percorrer as trilhas da Floresta da Tijuca ou passear por outros recantos maravilhosos do nosso país como a Chapada dos Viadeiros ou Lençóis. Hoje, na Suíça, ainda estou descobrindo a magia dos Alpes.
Um dos passeios mais interessantes que fiz nas últimas semanas terminou virando tema de reportagem (clique AQUI para ler). A "Trilha dos Anões" é um programa voltado especificamente para os baixinhos, apesar de oferecer todos os encantos típicos das montanhas helvéticas como picos nevados, chalés, floretas e vacas pastando nas encostas.
Na região alpina do cantão de Berna, os responsáveis pelo turismo local transformaram uma trilha comum em uma espécie de conto de fadas. Uma escritora da região se inspirou no local e nas lendas da região para escrever um livro infantil. Depois a trilha recebeu várias estações, onde as crianças podem "viver" essa história. Vantagem: dessa forma, é possível incentivar os baixinhos a percorrer até cinco quilômetros sem se cansar. O maior incentivo para eles é a surpresa escondida na próxima estação.
Acho essa idéia genial, sobretudo ao pensar que o Brasil também tem belezas naturais e muitas lendas. Por que não inventar um caminho do Saci-Pererê na Mata Atlântica? Ou colocar as crianças para procurar a Iara ou o Curupira na Amazônia? Empresários: acordem!
admin | 10:10 pm | agosto 28, 2009 | Cultura

Ao lado da minha casa em Berna existe uma pequena mesquita. Ela pertence à Associação de Muçulmanos do Sri Lanka, mas costuma ser utilizada por migrantes de outros países.
Como é comum na Suíça, ela ocupa um espaço discreto ao lado de oficinas e residências. Muitas vezes esses centros religiosos podem até ficar escondidos atrás de fábricas e depósitos. Pouquíssimos têm um minarete. E deles nunca se escuta o chamado dos muezins, algo que, pessoalmente, acho mais poético do que o barulho ensurdecedor dos sinos de igreja, sempre pontuais como relógios cuco.
No sábado passado (22/08) começaram as comemorações do Ramadã, o mês no qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual, o quarto dos cinco pilares do Islã. Assim como os meus colegas muçulmanos no trabalho, também os freqüentadores da pequena mesquita no meu bairro acordam às quatro da manhã para fazer suas refeições e só voltam a comer quando o sol se põe.
O que acho especialmente bonito é ver como a rua se enche de crianças nesses dias. Enquanto seus pais estão na mesquita rezando, elas ficam nos parques brincando como em dias de festa. Também admiro os rituais como os encontros familiares para comer iguarias depois das preces. E no final, como depois das missas no interior do Brasil, os homens começam a bater papo sobre coisas da vida.
Em um país tão laico como a Suíça, onde as muitas igrejas só conseguem se encher graças aos imigrantes e a única religião geral é a da acumulação de dinheiro – admiro a forma como o Islã é vivido intensamente pelos seus fiéis. Talvez o convívio da coletividade seja mais interessante do que as noites na frente da televisão.
Bom, alguém vai me dizer: "sim, mas as mesquitas são centros de radicais como o Bin Laden". Minha opinião: o Islã é uma das três grandes religiões monoteístas do mundo e, tem as mesmas origens das outras duas. Em si, sua mensagem é positiva. O problema está em quem a interpreta. E nessa questão, os cristãos não fazem um papel melhor. Ramadan karîm!
admin | 4:39 pm | agosto 27, 2009 | Economia, Vídeos

Ahhh…por que inventei de ser jornalista? Vocês estão vendo o sujeito aí na foto cercado de loiras, morenas e mulatas? Trata-se de um suíço. Hansjörg Bruderer era diretor de uma agência brasileira de modelos e está prestes a fundar a sua própria em São Paulo. Seguramente tem um dos melhores empregos da nossa terrinha.
A interessante história dele foi transmitida hoje no canal público de TV da Suíça. Depois de trabalhar vários anos como banqueiro e depois como diretor-executivo do fabricante suíço de garrafas térmicas Sigg, um sucesso de vendas na Europa, Hansjörg resolveu abandonar o país dos Alpes para tentar a sua sorte na terra de Cabral. Hoje ele oferece consultoria para pequenas empresas (BrasilEuro e Bruderer Associados) e também atua no ramo da moda.
Uma equipe de jornalistas da SF1 o acompanhou durante várias semanas para mostrar como funciona o negócio que, na opinião da TV, é a única saída para muitas jovens brasileiras que não sabem jogar futebol como a Ronaldinha. A reportagem mostra pais capazes de tudo para ver suas filhas nas capas de revistas, agências picaretas tirando o dinheiro deles, acampamentos de modelos e dietas para transformar garotas de 10 anos na próxima Gisele Bündchen.
Infelizmente ainda não pude ver o programa, mas espero que a TV o disponibilize em breve no seu site na internet (clique AQUI para assistir). Quem não quiser esperar e estiver curioso em ver como o canal exibe a nossa terra para os suíços, encontrei até um “dossiê” Brasil com vários filmes (clique AQUI).
admin | 5:17 pm | agosto 26, 2009 | Cotidiano

Como todo blogueiro, também sou um leitor assíduo de outros blogs. Um dos meus preferidos na Suíça é o "Mama Blog", um espaço mantido por duas belas jornalistas profissionais para contar suas aventuras e desventuras na maternidade.
Apesar de o tema parecer banal, o Mama Blog é um dos mais visitados do jornal Tagesanzeiger. Todos os dias elas levantam questões muito pertinentes, provocando debates interessantíssimos entre os leitores. Um deles me chamou bastante atenção: a questão da palmada.
Pessoalmente sou contra qualquer forma de punição física contra crianças. Mesmo quando era uma, guardo más lembranças dos meus encontros com a chamada "Doutora Karina", a famosa sandália de borracha. O que sobra é sempre o sentimento de humilhação e medo. Além disso, nos tempos de hoje esse comportamento é considerado crime. Na Suíça a cadeia é praticamente imediata para os suspeitos de dar a varinha nos seus filhos. Contra isso existem bons serviços de proteção.
Porém a autora Michèle conta a história de um pestinha que ela cruzou no trem. Ele gritava, tirava meleca do nariz e passava no banco, jogava seus brinquedos contra outros passageiros e incomodava até a amiga da mãe. Então ela perdeu a compostura e passou um sabão nele.
A questão levantada é: o que fazer? Apertar a orelha do guri ou explicar o código do passageiro e seus direitos? Eu também tenho filhos, mas por enquanto eles são bem comportados. Mais de 150 leitores responderam em dois dias. Resumo: as idéias se dividem sobre o tema.
admin | 12:46 pm | agosto 25, 2009 | Divertido

No final de semana li uma reportagem no portal alemão Spiegel.de que me assustou. Se no passado fazer tatuagens e piercing era coisa de rebelde e marinheiro, hoje a melhor forma de ressaltar a identidade própria é fazer transformações corporais radicais como implantes, queimaduras ou mutilações deliberadas do corpo.
Dentre outros, ela dava o exemplo de um suíço, o crítico de arte e jornalista Etienne Dumont (o maluco na foto à esquerda). Há vinte e seis anos, esse sujeito mais colorido do que borboleta tropical começou a transformar seu corpo em uma verdadeira obra de arte. Hoje, aos sessenta anos, ele está praticamente coberto de tatuagens (quase 100% do corpo), piercings, implantes de titânio sob a pele – para dar forma aos “chifres”, por exemplo – e esferas para expandir os lóbulos e o espaço entre o queixo e os lábios.
Além de escrever para o Tribune de Genève – recentemente amigos artistas fizeram fotos dele por ocasião do seu aniversário - Etienne mantém seu próprio blog de assuntos culturais: www.sangbleu.com
Ao lado do suíço na foto, está o tatuador havaiano Kala Kaiwi. Com 67 piercings e 75% do corpo tatuado, o jovem também incrementou suas modificações corporais através de vários implantes internos e externos, que dão a ele a aparência de um verdadeiro “alien”.
O artigo do portal alemão também citava uma empresa estranha chamada “Humam Upgrades“. Ele oferece teoricamente todo o tipo de modificações corporais como narizes de um buraco só (fotos abaixo), mãos com membranas, transplantes de dedos, orelhas de “Spock” e até fechamento dos órgãos genitais. Os jornalistas não conseguiram contatar os responsáveis, o que os levou a declarar que tudo não passa de uma boa jogada de marketing. Porém as fotos impressionam.

O fato é que essas pessoas declaram realmente se sentir mais atrativas e únicas depois das dores infligidas aos seus corpos. O extremo individualismo em uma época de globalização e homogeneização das culturas se reflete nas suas dilacerações. Pessoalmente também gosto de me diferenciar das massas, mas ter chifres é algo que ultrapassa meus limites. Pior que isso, só se o Ricardão aparecer lá em casa num dia desses…
2010 Alexander Thoele - Switzerland