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Sorria: você está sendo filmado!0 Comments

admin | 12:51 am | maio 31, 2009 | Cotidiano, Vídeos

O crime ocorreu em 21 de maio por volta da meia-noite na estação de trem de Kreuzlingen, cidade ao norte da Suíça. Três jovens espancam violentamente dois rapazes e saem correndo.

No dia seguinte a polícia local aplica um método incomum para encontrar os arruaceiros: publicar na imprensa o vídeo registrado pelas câmeras de vigilância. Uma das cenas cortadas mostrava os três jovens abraçados e sorrindo. Parecia que estavam posando para um fotógrafo. A imagem fez a capa de vários jornais no país.

Não durou muito tempo e uma dezena de telefonemas anônimos revelava a identidade dos três. Com idades entre os 18 e 20 anos, os suíços estão presos e já confessaram o crime. Razão pela violência: nenhuma, eles nem conheciam as vítimas. Mas a polícia revelou que eles estavam embriagados.

O fato levou-me a pensar no combate da criminalidade e a questão da privacidade. A Suíça, assim como vários países europeus, aposta nas câmeras de vigilância para fins policiais. Milhares delas estão instaladas em locais públicos. O site do "Big Brother Awards", que premia todos os anos órgãos ou empresas que atentam contra a proteção dos dados pessoais, chega a oferecer um divertido mapa. Ele mostra todas as câmeras de vigilância da estação de trem de Zurique ou de um dos bairros da cidade. É impressionante.

Ao contrário de criticar, acho que o Brasil também poderia investir no sistema. Porém o ministério do Interior da Inglaterra, país com a maior densidade de câmeras de vigilância no mundo, publicou há pouco tempo um estudo (PDF) mostrando que os 4,2 milhões de aparelhos instalados quase não contribuíram para diminuir os índices do crime. Só o número de queixas registradas aumentou consideravelmente.

Frente à tendência cada vez maior dos governos controlarem seus cidadãos (incluindo em sistemas de monitoração da internet ou troianos para invadir os computadores), um estudante alemão fez um interessante vídeo intitulado "Você é um terrorista". Vale a pena assisti-lo… 

 

Du bist Terrorist (You are a Terrorist) english subtitles from alexanderlehmann on Vimeo.


Paula Oliveira internada há 81 dias em hospital psiquiátrico0 Comments

admin | 9:50 pm | maio 29, 2009 | Suíça

Reportagem de um canal de televisão suíço indica que Paula Oliveira, brasileira que havia simulado um ataque de skinheads em fevereiro, está internada na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique desde 10 de março.

Procuradoria aguarda resultados de exames médicos para concluir o inquérito. Enquanto isso, políticos defendem a expulsão antecipada da jovem.

Desaparecida do noticiário há vários meses, Paula Oliveira volta às notícias através de uma reportagem transmitida pela TeleZüri. Segundo o canal televisivo de Zurique, a brasileira estaria internada na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique desde 10 de março.

O porta-voz da Procuradoria do Cantão de Zurique confirmou a informação, mas ressaltou que internação não foi feita por ordem judicial, mas sim teria partido de uma decisão de médicos e da própria família. "Sim, é verdade, mas ela pode sair do hospital quando quiser e continua em contato com as autoridades", acrescentou Rainer Angst.

Ele ainda explicou que o inquérito continua em andamento, mas faltam poucos elementos. "Estamos aguardando os resultados dos exames psicotécnicos, o que pode levar ainda algumas semanas ou meses", explicou, lembrando também que o passaporte de Paula O. continua retido pelas autoridades.

Em entrevista dada à TeleZüri, o advogado de defesa da brasileira falou sobre seu atual estado psicológico. "Minha cliente ainda está seriamente abalada por toda essa história. Seu estado é estável e ela se recupera atualmente", declarou Roger Müller. Ele também revelou que a brasileira não está sozinha. "Sua mãe está todo tempo ao seu lado. Isso faz bem para ela (Paula) e contribui, seguramente, à sua recuperação". Segundo o advogado, a mãe paga do seu bolso a estadia na Suíça.

Os repórteres ainda descobriram que o visto da mãe de Paula O. já teria estaria expirado, e que ela pede atualmente uma prolongação extraordinária, prevista também em lei.

Ao saber que Paula O. está internada em uma clínica psiquiátrica, políticos da União Democrática do Centro (UDC), partido cujas iniciais haviam sido cortadas no corpo de Paula O. por ela própria, criticaram a possibilidade da brasileira ser absolvida por questões médicas.

"Se de fato ela está na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique, a sentença será provavelmente de que ela não estava em pleno gozo das suas faculdades mentais, o que significa que não será penalizada. Então não entendo por que a Paula O. não foi expulsa há mais tempo, o que teria economizado bastante dinheiro dos contribuintes", declarou Alfred Herr, presidente da secção zuriquense da UDC e também deputado federal.

Outros parlamentarem refutam uma expulsão prematura. "O desenrolar do inquérito deve corresponder às leis vigentes, afinal não vivemos em uma república de bananas", afirmou Daniel Jositsch, deputado federal do Partido Social Democrata.

Paula O. procurou a polícia em 9 de fevereiro para dizer que havia sido atacada por três neonazistas na estação de trem de Stettbach, no subúrbio norte de Zurique. Em conseqüência das agressões, ela teria perdido gêmeos no terceiro mês de gestação.¶

O caso teve uma forte repercussão na imprensa dos dois países e chegou a gerar reações enérgicas do governo brasileiro.

Em 13 de fevereiro, o diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter Bär, afirmou que, a partir de exames de legistas e ginecologistas, brasileira não estava grávida no momento da ocorrência e que ela mesma feito os ferimentos em seu corpo. Pouco depois, a brasileira teria confessado a simulação.

Fotos: Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique. (Wikipédia) e imagem da mãe de Paula O. na TeleZüri.


O fim da placa de bicicleta0 Comments

admin | 11:53 am | | Divertido

“Aqui na Suíça se emplaca bicicleta?”, perguntou um amigo ao olhar admirado o estranho selo pregado na traseira do meu camelo. Resolvi pregar uma peça nele e respondi: “Sim, afirmativo, e ainda é necessário pagar o despachante para preencher os formulários e levar ao amigo dele no Detran local, sem esquecer, obviamente, de dar uma graninha para a cerveja.”

Depois esclareci o mistério. Uma lei obriga todo ciclista no país a comprar anualmente um selo numerado do seguro obrigatório de terceiros. O custo é de apenas seis francos (11 reais). Ele cobre qualquer acidente causado pelo condutor até dois milhões de francos. Segundo a Wikipédia, a tradição de registrar bicicletas começou em 1890, mas com o intuito de proteger os proprietários contra roubo ou perda. Outras plaquinhas existem para bicicletas do exército, alfândega e também correios.

Quando cheguei à Suíça, há sete anos, achava que se tratava de algo voluntário. Ao ser cortado por uma kamikaze das ruas e sofrer um acidente, a polícia multou os dois: a mulher pela falta de atenção e eu, por não ter a tal da “velovignette” (o selinho da bicicleta). Depois nunca mais me esqueci de comprá-lo.

Ontem houve uma votação no Senado, onde a maioria dos parlamentares aprovou um projeto para acabar com o tal do selinho. “Ele vem de um tempo onde a polícia controlava todos os setores da vida”, declarou o autor. Ele justificou a proposta com os altos custos administrativos e pelo simples fato da polícia não controlar mais os ciclistas. Agora o projeto vai para a Câmara de Deputados.

Quando a bicicleta da minha vizinha foi roubada, pensei como é bom estar em um país onde o ladrão não apenas toma algo, mas até leva o seguro junto.


Empresa cria seguro de saúde para cães e gatos0 Comments

admin | 11:10 am | maio 28, 2009 | Divertido, Suíça

Fifi engasgou ao comer um osso de galinha. Totó inventou de caçar um gato e acabou atropelado pela motocicleta do vizinho. Os dois cachorros precisam ser urgentemente operados. O dono olha a carteira e pensa com seus botões: “Ai meu Deus, isso vai custar uma nota”. Mas as crianças gostam tanto deles que não há alternativa, a não ser chamar a ambulância.

Na Suíça, uma simples operação em um hospital veterinário passa facilmente dos seis mil reais. E se o Totó ainda precisar de uns dias de reconvalescença, então a conta cresce exponencialmente. Só existe uma solução para não comprometer o orçamento familiar: fazer um seguro de saúde para o melhor amigo do homem.

Essa novidade acaba de ser lançada pela Mobiliar, a maior companhia de seguros do país dos Alpes. Por 90 francos (168 reais) para gatos e 191 francos (357 reais) para cães, é possível assegurar os animais, assim como nossos filhos nos planos da Amil.

O que parece piada é, na realidade, cheiro para bons negócios. As estatísticas falam de mais de 1,3 milhões de gatos e 500 mil cachorros vivendo na Suíça. E pela diversidade de produtos para animais nos supermercados, imagino que o amor dos donos por eles seja ilimitado. Se todos assinarem um seguro, isso garantiria negócios na ordem de 70 milhões de francos (130 milhões de reais) para a empresa.

O seguro de animais Mobiliar cobre tratamento estacionário ou ambulante para cães e gatos doentes ou acidentados. Isso inclui operações cirúrgicas, homeopatia, acupuntura, medicamentos, transporte e também de estadia nas clínicas veterinárias.

Para quem se surpreende com tanto amor aos bichos, recomendo a leitura de uma reportagem que fiz para a swissinfo sobre a nova Lei de animais da Suíça (entrou em vigor em outubro de 2008). Ela prevê cursos obrigatórios para donos de cães, parceria obrigatória para porquinhos-da-índia e até anestesia de peixes de aquário antes de jogá-los na latrina. Acredite se quiser! 

Foto acima: operação na clínica veterinária do Hospital Universitário de Berna (agência Keystone). Foto abaixo: estacionamento de cães no estádio esportivo de St. Jakob-Park, Basiléia.


Red Bull: o gosto é pior do que a cocaína0 Comments

admin | 12:18 pm | maio 27, 2009 | Economia

Deu anteontem no Globo: cinco estados alemães proibiram a venda do refrigerante Red Bull Cola ao descobrir vestígios de cocaína na bebida. Segundo as autoridades, a concentração seria de apenas 0,4 microgramas por litro, uma quantidade inócua para a saúde humana, mas capaz de tirar o produto da categoria de “alimentícios” segundo as leis locais.

O fabricante refutou as acusações, lembrando que extratos de folha de coca “descocainizados” são utilizados como aromatizantes no mundo inteiro e não trazer nenhum perigo para o consumo.

Interessante foi a observação feita pelo farmacólogo Fritz Sörgel nos jornais alemães. Ele acha a ação um exagero. “Se medirmos hoje com esse nível de sensibilidade outros alimentos e bebidas encontrados no mercado como o Red Bull, iríamos encontrar muita coisa”, afirma e completa, “Graças aos modernos métodos de análise aprendemos cada vez mais que estamos vivendo em um mar de drogas e substâncias dopantes.”

Na Suíça a utilização de extratos de coca na indústria alimentícia é proibida. Por essa razão, a receita helvética da Red Bull Cola não contém o produto. Isso não impede, porém, que a bebida seja um sucesso de vendas. É difícil não encontrar nas ruas um jovem com uma latinha na mão. Alguns nem tomam mais café. Até mesmo versões locais dessas bebidas energizantes já foram lançadas: Swiss Power Beer (uma cerveja energética sem álcool com guaraná e cafeína).

Talvez seja uma diferença de gerações, mas para mim Red Bull é uma espécie de chiclete líquido acrescido de estimulantes. Essa bebida não desce na minha garganta. Só não entendo que o Brasil, país do guaraná e açaí, também seja um grande consumidor.

Agora uma curiosidade para o leitor: uma entre duas latinhas de Red Bull no mundo vem da Suíça. Desde 2005, a empresa austríaca mantém uma fábrica em Widnau, vilarejo ao leste do país, com capacidade de produção de, acredite ou não, dois bilhões de latas. Aliás, o país exporta muito mais a bebida (além das capsulas de Nespresso) do que queijo e chocolate.


O perigo de armas nas mãos de (alguns) soldados0 Comments

admin | 12:26 pm | maio 25, 2009 | Cotidiano, Suíça

Aqui já comentei o interessante costume helvético de distribuir armas aos jovens que passam pelo serviço militar. Hoje descobri através da leitura matinal dos jornais que 100 soldados tiveram de entregá-las, desde março de 2009, por terem sido considerados “potencialmente perigosos”.

Como isso é possível? Há alguns anos o Exército suíço tem o direito de investigar a vida de soldados e oficiais para descobrir se existem fatores que levem essa pessoa a arriscar a sua própria ou a vida de outros com armas militares. Se algum temor for confirmado, a polícia vai à casa do investigado e retira seu fuzil ou pistola no ato.

Segundo informações oficiais, cerca de 70% do total de 210 mil membros das Forças Armadas (ativa e reserva) já foram checados. O restante ainda não, pois não existe exigência legal para isso.

Ao analisar as estatísticas, descubro que o aumento de confiscos tem sido progressivo: 57 (2005), 89 (2006) e 101 (207). Porém levando-se em conta o número total de militares do país, imagino que a média de 100 armas apreendidas seja até baixo. “Além disso, cada recruta precisa preencher um formulário e também participar de uma entrevista para verificar se pode lidar com armas”, explica o major-general Peter Stutz ao jornal Tagesanzeiger, lembrando também que indicações dadas pela família ou por outros civis também podem servir para qualificar um soldado de “perigoso”.

Pela quantidade elevada de armas em circulação e as baixas taxas de criminalidade da Suíça, posso dizer que confio nos controles oficiais. Porém tenho de concordar com a observação perspicaz da assídua leitora Sandra Barret (obrigado!!), que chegou a comentar que muitos dos recrutas suíços mais lembram as tropas desgarradas do filme “O Incrível Exército de Brancaleone“. De fato, quem já esteve por aqui e viu nas estações de trem os soldados barbudos, cabeludos e sempre com uma lata de cerveja na mão, pode até duvidar da segurança que eles têm no gatilho.

E para não ficar só na crítica, devo dizer que admiro os pacifistas helvéticos. Os mais organizados deles, o Grupo para uma Suíça sem exército, conseguiu reunir no começo de maio 126 mil assinaturas pedindo a proibição da compra de jatos militares até 2019. Agora a questão será votada nas urnas em 2010 ou 2011.

Foto: Flickr/xtress


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