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Tinha gripe suína e o mandaram para casa0 Comments

admin | 1:19 pm | abril 30, 2009 | Suíça

Hoje de madrugada publicamos uma nota confirmando o primeiro caso de gripe suína na Suíça. A vítima é um jovem de 19 anos chamado Kerry F. e que havia retornado à casa depois de alguns dias de férias no México. Quando as autoridades publicaram às duas horas da manhã o anúncio, não foram poucos os jornalistas que arregalaram os olhos: mas ele não foi dispensado ontem à noite do Hospital de Baden? A resposta: correto, mas foi um erro de interpretação, respondeu a direção.

Os jornais helvéticos descreveram o caso como o segundo pane (o primeiro foi a quebra de frascos contendo o vírus A/H1N1 em um trem) ocorrido no país. Tudo, pois os médicos que tratavam o rapaz, internado em quarentena no hospital desde que desembarcou do avião, haviam recebido ontem uma análise negativa do Centro Nacional para Influenza (CNRI). Logo então ele foi liberado, fez suas malas e voltou para casa.

Mas à noite chegou um resultado diferente: sim, é gripe suína. O teste negativo era somente para influenza A e influenza B em seres humanos. Os médicos ligaram então para Kerry F, pedindo que retornasse urgentemente ao hospital. Agora todos os familiares e amigos com quem teve contato nas últimas horas foram solicitados a permanecer em casa. O Hospital de Baden criou para elas um número hotline e todos rezam para que não peguem um resfriado.

Foto: Hospital Cantonal de Baden/Cantão da Argóvia


De repente todo mundo quer ir ao México2 Comments

admin | 5:07 pm | abril 29, 2009 | Cotidiano

Os números impressionam. Primeiramente o México anunciou 159 mortos, mas as autoridades falam agora de apenas sete casos relacionados à gripe suína. Encontrei uma explicação na imprensa alemã: – “A diagnose do vírus A/H1N1 é difícil e, sob as condições de saúde no país, praticamente impossível”, explicou o biólogo Alexander Kekulé, da Universidade de Halle, revelando ainda que as confirmações das mortes através da epidemia precisaram ser realizadas em laboratórios canadenses, o que trouxe então um número menor de mortos.

Será que a nova gripe ou gripe mexicana, como os israelenses preferem dizer, é uma das pragas bíblicas ou apenas alarmismo? Seguro é que pânico se alastra tão rápido como o vírus. Estou vivendo isso na Suíça, onde últimas notícias já falavam em 26 suspeitas de contágio.

Para se precaver, a companhia aérea Swiss encheu as farmácias à bordo dos seus aviões com o remédio Tamiflu. Além disso, os vôos de longa distância terão o chamado “Flu-Kit” (equipamento de gripe), que contém proteção bucal Tamiflu, luvas e termômetro. No caso de suspeita de contágio, os tripulantes devem contatar por telefone via satélite com a Rega, as equipes de salvamento na Suíça. Porém a própria companhia tranqüiliza os passageiros: “A transmissão pelo vírus à bordo é muito pouco provável, pois o ar é muito seco e também filtrado.”

Na estação de trem de Zurique as farmácias não dispõem mais de Tamiflu e as máscaras estão esgotadas. Porém a farmacêutica explica aos clientes apavorados que a máscara só serve para impedir que uma pessoa contaminada transmita a doença e não o contrário.

E para os precavidos, quem quiser estocar Tamiflu em casa terá problemas, pelo menos na Suíça. Uma caixa com 10 cápsulas do medicamento da Roche custa 83 francos (160 reais), mas só pode ser vendida sob receita. A única exceção é dada aos clientes que provarem estar viajando a uma região atingida. Aos jornais, um farmacêutico fez uma singela revelação: – “curiosamente nesses últimos dias muitas pessoas estão com passagem marcada para o México.”

Foto: Roche Pharmaceuticals Tamiflu


Vidro com vírus da gripe suína quebra em trem0 Comments

admin | 12:52 pm | abril 28, 2009 | Suíça

O incidente lembra cenas de um filme americano de catástrofe, mas ocorreu de fato. Para quem achava que Bin Laden é o maior perigo da humanidade, não contava com esses parasitas intracelulares.

Segundo a polícia helvética, um técnico do Centro Nacional para Influenza (CNRI) estava viajando na segunda-feira (27/04) para Zurique, onde iria buscar oito frascos de amostras, dos quais cinco continham o vírus da gripe suína. A encomenda havia sido feita pelo Ministério suíço da Saúde com o objetivo de desenvolver testes de reconhecimento da enfermidade no CNRI.

Os frascos estavam caixas triplas hermeticamente fechadas e refrigeradas por gelo seco, como as que são utilizadas normalmente nesse tipo de transporte de risco. Por descuido, alguém se esqueceu de embalar bem o gelo seco. Durante a viagem com o trem da linha St. Gallen-Genebra, o gás exalado elevou demasiadamente a pressão dentro da caixa e então, às 18.39, quando o trem estava parado em Friburgo, ela explodiu, ferindo o transportador e uma mulher. Os frascos também foram quebrados no mesmo momento.

O técnico imediatamente contatou as autoridades e começou a recolher os fragmentos. Uma hora depois, a polícia interceptava o trem nas proximidades de Lausanne para possibilitar o tratamento dos 61 passageiros. Apesar de um certo pânico inicial (imagine, caro leitor, você numa situação dessas), estes foram logo tranqüilizados pelos especialistas do Hospital Cantonal de Vaud: apesar do vírus contido nos frascos serem do tipo H1N1, a mesma família do vírus da gripe suína, eles eram de uma variação completamente inócua para os seres humanos. Alarme falso!

Afora o incidente, também na Suíça só se fala da possível pandemia. As autoridades helvéticas dizem estar mais preparadas como nunca para ela: desde o surgimento da gripe aviária, o governo estocou para um quarto da população doses de Tamiflu, medicamento produzido pelo laboratório suíço Roche e que combate também o novo tipo de vírus da gripe suína – o A/H1N1, do México.

Foto: Duas garrafas com etanol para desinfecção na estação de trem de Lausanne (agência Keystone)


Quero votar pelado!0 Comments

admin | 10:33 pm | abril 27, 2009 | Política

No início do mês escrevi um post sobre nudistas de montanha e que continuam a dar o que falar aqui no país dos Alpes. A novidade é que agora o tema foi colocado em votação e o eleitor decidiu acabar com a “sem-vergonhice” desse grupo reduzido de amantes da natureza.

O plebiscito ocorreu no cantão de Appenzell-Innerrhoden (leste da Suíça) através de um dos mais primitivos e originais modelos de democracia ainda existentes no mundo: a Landsgemeinde. Trata-se de uma assembléia popular em praça pública, onde o eleitor aprova ou não uma proposta apresentada – tanto pelo governo como qualquer cidadão – levantando uma cédula com a mão. Elas são contadas por um juiz, que dá então o resultado final. O picante dessa tradição de 600 anos é que nada é fica sob os panos: o braço em riste significa tomar uma posição e ela será conhecida por todos, sejam vizinhos, amigos ou até o próprio chefe na empresa.

Quem como eu, já há alguns anos na Suíça, vivenciar uma Landsgemeinde é uma experiência emocionante. Em 2007, fui ao cantão de Glarus fazer uma reportagem sobre o assunto. Nesse dia, os eleitores aprovaram o voto aos 16 e vários outros temas de uma tacada só. Confesso a vocês que tive, como cidadão brasileiro, inveja desses orgulhosos democratas. Vocês podem imaginar o povo brasileiro reunido na Praça dos Três Poderes para votar o salário dos nossos parlamentares?

Mas agora voltando aos excursionistas desnudos, a Landsgemeinde em Appenzell-Innerrhoden decidiu no domingo (26/04) transformar essa prática em delito: quem for pego pela polícia como Adão e Eva caminhando nas trilhas vai pagar 200 francos (385 reais) de multa. Além disso, os eleitores também votaram outros projetos, inclusive dando um sonoro “não” à proposta do governo de limitar os passeios na natureza para não incomodar os animais silvestres.

O curioso da história é a repercussão internacional. Não apenas a BBC publicou uma matéria sobre o tema, mas também outras mídias de peso como a rede americana de TV ABC News e as publicações alemãs “Die Welt” e “Spiegel“.

Foto: Landsgemeinde na praça central de Appenzell-Innerrhoden (Agência Keystone)


O sigilo bancário tem sete vidas0 Comments

admin | 3:04 pm | abril 26, 2009 | Economia

Além de Guilherme Tell e as montanhas, qual é o mais forte mito relativo à Suíça? Sim, é o sigilo bancário. Em outras ocasiões já escrevi sobre o tema, mas como ele está mais do que nunca sob perigo de extinção, decidi apresentar hoje para vocês uma entrevista que fiz diretamente na cova dos leões.

Não fui devorado, mas quase. Durante mais de uma hora tentei batê-lo com idéias e argumentos, mas ele não perdeu em nenhum momento a sua contenção. Estou falando do meu interlocutor, o poliglota Michel Y. Dérobert, secretário-geral da associação que reúne 14 dos mais finos e legendários bancos privados na Suíça, um lobby rico, poderoso e geralmente muito, muito discreto.

Quando se fala em sigilo bancário, a maioria de nós, brasileiros, imagina uma pessoa (talvez um político brasileiro) carregando dois milhões de dólares na pastinha, entrando em uma sala finamente decorada e apertando a mão do banqueiro. Obviamente, esse senhor de finas maneiras nem faz questão de perguntar o nome do visitante. Ele apenas sorri e dá o número da conta numerada.

Esqueçam, pois isso só ocorre nos filmes de James Bond. Hoje as leis são mais severas, mas os bancos também se sofisticaram. Nos EUA, o grande UBS está sendo processado por práticas pouco recomendáveis no mercado. Ao mesmo tempo, o G-20 decidiu colocar a corda no pescoço do sigilo bancário. A corda é a lista “cinza” da OCDE, na qual a Suíça foi incluída. Em tempos de crise e caixas vazios, ministros das Finanças estão de olho nas fortunas de muitos endinheirados que desaparecem sob o manto da discrição financeira.

Por outro lado, Michel Y. Dérobert lembrou-me que uma coisa nunca vai mudar: o desejo e necessidade de proteger nosso dinheiro. Lembrei-me então da inflação recorde dos tempos do Sarney, do confisco de dinheiro nos tempos do Collor e dos impostos cada vez mais elevados que se paga ou poucos pagam no Brasil. Vocês acreditam então no fim dessa velha instituição?

Foto: Entrada do banco privado Pictet & Cie em Genebra. (Keystone)


Comendo carne de cavalo0 Comments

admin | 9:42 pm | abril 24, 2009 | Suíça

Outro dia desses estava passeando em Genebra, quando encontrei a lojinha acima, um açougue de carne de cavalo, algo muito típico na Suíça. Então lembrei-me das vezes que meu padrasto me levada ao Jóquei Clube na Gávea para assistir corridas. Vez ou outra até apostava um pouco da mesada, mas sempre acabava perdendo. 

Não esqueço também também que os cavalos vencedores desfilavam sempre frente ao público após a corrida. Todos eram musculosos, tinham o pelo bem tratado e até mesmo um pouco de cosmética. Ao perder meus tostões nesse hobby, decidi esquecer qualquer forma de jogo que envolva animais (até o jogo do bicho).

Pois então, não foi que descobri, ao vir à Europa, que existe outra utilização para os eqüídeos? Na panela. Países como a Suíça, França e Alemanha são consumidores tradicionais desse tipo de carne. Eu mesmo já experimentei um bifinho ou outro e posso dizer que ela é magra, saudável e bem saborosa. Recomendo, sobretudo, como churrasco.

Porém existem pessoas que acham isso nojento. Não só, pois eles gostam do cavalo como animal útil e de estimação, mas também por questões éticas. A famosa Brigitte Bardot é uma delas. No ano passado lançou uma campanha para colher assinaturas contra a chamada “hippophagie”, o hábito de comer carne de cavalo. A imagem mostra que até pessoas célebres deram seu apoio, como a mulher e as duas filhas do campeão de Fórmula 1, Michael Schumacher.

Os hipófagos não têm problema com as críticas de Bardot. Sites especializados na internet vendem o produto e até dão sugestões de receitas. É tudo uma questão de gosto e de cultura. A gente não come no Brasil coração de galinha?


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