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admin | 6:39 pm | março 31, 2009 | Política

Prefeitos: Corine Mauch (Zurique), Klaus Wowereit (Berlim) e Bertrand Delanoë (Paris)
Antes de tudo, gostaria de agradecer aos leitores pelos comentários feitos no post de ontem. O maior beneficio trazido pelos blog ao jornalismo é permitir um diálogo aberto sobre temas atuais. Fiquei impressionado com o nível da conversa. Valeu!
Hoje vou escrever um textinho curto só para não deixar em branco uma notícia que acho extremamente interessante. No último domingo saiu o resultado da eleição para o prefeito de Zurique. A vencedora foi Corine Mauch, do Partido Social-Democrata.
O fato e digno de menção não apenas pelo fato dela ser a primeira mulher a governar a maior metrópole suíça, mas também por ser assumidamente lésbica e viver há quinze anos com sua parceira.
Assim, a Europa passa a ter uma terceira grande cidade a ser governada por gays declarados. A primeira foi Paris, com Bertrand Delanoë (prefeito desde 2001) e a segunda Berlim, Klaus Wowereit (também prefeito desde 2001).
Um detalhe interessante na biografia de Corine Mauch é que ela tocou em duas bandas de rock só de mulheres.
admin | 7:53 pm | março 30, 2009 | Cotidiano, Suíça

A foto acima mostra a vista aérea de uma típica fazenda no interior da Suíça. O que ela tem de interessante é o detalhe da estranha plantação retangular dentro de outra plantação (à direita das duas casas, no centro da imagem). Vou revelar o segredo: 1.600 pés de maconha, cercado de pés de milho. Seu proprietário foi preso em janeiro depois que a polícia helvética descobriu suas atividades através do Google Maps. No total ele chegou a produzir 1,5 toneladas da droga.
Essa história é apenas para dizer que cannabis sativa continua sendo um tema polêmico no país. Por duas vezes iniciativas populares (propostas de leis que são lançadas em votação após recolher um número mínimo de assinaturas) tentaram legalizar a planta e seu consumo na Suíça, mas sem sucesso. Em 1998, pouco mais de 74% dos eleitores disseram “não”. No final de novembro de 2008, o resultado não foi melhor: 63% de votos negativos.
Com a impossibilidade de legalizar, a discussão agora se volta para a questão: processos penais ou multas contra os consumidores? Para Daniel Meili, a melhor solução seria o pragmatismo. Em entrevista ao jornal “Neue Luzerner Zeitung“, o médico psiquiatra e reconhecido especialista na área de drogas pelo seu trabalho de médico-chefe da Associação Para a Redução dos Riscos no Uso de Drogas, defendeu a proibição do consumo da cannabis sativa, mas recomendou que os usuários recebam apenas multas pecuniárias. Reproduzo aqui a entrevista.
Jornal: Multas ao invés de processos contra fumantes de maconha. Essa é a melhor estratégia?
Daniel Meili: Trata-se de um progresso em relação ao status quo atual.
J: Por quê?
D.M.: Quando analisamos quantas pessoas na Suíça fumam regularmente um cigarro de maconha – estamos falando de 300 mil a 500 mil consumidores – então é fora de proporção levar todas essas pessoas aos tribunais. Para os usuários isso tem um efeito que não é dissuasivo e que não faz ninguém desistir de fumar um joint.
J: Então devemos igualar o consumo de maconha com o estacionamento em local incorreto. Não seria isso uma forma de relativizar ou dizer que este é menos perigoso do que o é?
D.M.: Isso não tem nada a ver com relativização. Segundo as leis, tudo que não toca outras pessoas não é criminoso. Apenas na questão do consumo de drogas ilegais a Lei é interpretada de forma mais severa. Isso não é plausível.
J.: Então o consumo e detenção de cocaína e outras substâncias deveria ser implicado também em um sistema de multas?
D.M.: O governo federal foi ainda mais longe e chegou a propor em 2001 a despenalização do consumo e detenção de drogas ilegais. A penalização do consumo de uma droga não leva a uma redução do consumo. Porém o Parlamento quis deixar a penalização na Lei. Com a única argumentação de que o consumidor prejudica a si próprio. Mas isso não é lógico.
J.: A descriminalização moral diminui o número de fumantes da maconha?
D.M.: O mais importante é que a juventude tenha uma perspectiva, uma boa formação, uma profissão em que ela seja exigida. Também um bom trabalho de prevenção nas escolas precisa ser apoiado. Claro: apenas através da prevenção são poucos aqueles que deixam de experimentar uma vez um joint. Porém a prevenção pode conscientizar de qualquer maneira os consumidores dos riscos da sua atitude. E em terceiro lugar, o governo precisa regular o mercado da maconha.
J.: Então voltamos à questão das lojas que vendem maconha (nota da redação: até poucos anos elas existiam por toda a Suíça, apesar de trabalharem na semi-legalidade).
D.M.: Nessa questão o Estado também tem um controle apenas parcial. A solução seriam lojas autorizadas. Lá as condições de venda estariam reguladas, os preços determinados, a qualidade testada. Na política restritiva atual, isso é fora de realidade. Porém se provou que a ilegalidade apenas traz mais problemas: o que é proibido desperta o interesse, a ilegalidade torna as substâncias impuras e, dessa forma perigosas.
J: o consumo de maconha é então sem perigo?
D.M.: De forma nenhuma. Sobretudo jovens sem perspectiva e em uma fase de desorientação consumem maconha em demasia podem ter grandes problemas psíquicos. Fumar maconha não é menos perigoso do que beber álcool além da conta. Essas pessoas precisam ser ajudadas pela medicina. Penas não ajudam a resolver o problema.
J.: A cannabis é o primeiro degrau na utilização das drogas?
D.M.: Temos na Suíça milhares de pessoas que já tiveram experiência com a maconha. Se ela fosse a droga de entrada, então teríamos muito mais do que 20 mil dependentes de heroína no país.
Fim da entrevista…
Uma comissão parlamentar na Câmara dos Deputados aprovou uma proposta semelhante à feita pelo médico. Agora a questão vai para o Senado e pode até tornar-se lei.
Enquanto isso, a Cannatrade, a maior feira de produtos do cânhamo, já está nos seus últimos preparativos antes de abrir suas portas no início de maio na Basiléia. Polêmica ou não, o fato é que a cannabis sativa também é vista como tema sério por muitos empresários.
admin | 7:54 am | março 29, 2009 | Suíça

A lista dos atuais pilotos que fixou domicílio no país dos Alpes é longa e proeminente. Nove deles estão registrados oficialmente em diferentes comunas entre o lago de Constância e Léman. Eles fazem companhia a outras lendas do volante como Michael Schumacher (Gland), Alain Prost (Nyon) e David Coulthard (Villars-sur-Ollon), que estão em pequenos vilarejos do cantão de Vaud, sudoeste da Suíça.
Por que essa turma? A maior parte das pessoas pensa que é devido aos impostos baixos. Em parte, isso é verdade, mas só em parte. Para alguns, a possibilidade de negociar com as prefeituras a parte que devem dar ao Leão é muito tentadora. Mas, como informa o jornal Tagesanzeiger, outra importante razão é a legendária discrição dos suíços: "As pessoas aqui são discretas e deixam você em paz", declara o piloto alemão Nick Heidfeld, que vive em Stäfa, à beira do lago de Zurique. Assim ele e sua família conseguem recarregar as energias para os novos desafios nas pistas.
Outra razão é a logística: os pilotos gostam de morar no centro da Europa e próximos a pequenos aeroportos. Marc Surer, ex-piloto da Fórmula 1, também acredita que a possibilidade de fazer esportes, a natureza, o ar puro das montanhas, são fatores importantes. Talvez eles tenham atraído também atores importantes do esporte, mas que não são tão jovens assim, como o empresário Bernie Ecclestone. Ele vive em Gstaad, no cantão de Berna.
Curiosamente, o único suíço da Fórmula 1, Sébastien Buemi, não vive no seu próprio país, mas em Manama, no Bahrein. Um leitor do Tagesanzeiger acha que ele não quer é prestar o serviço militar…
Aqui está a lista completa dos pilotos ativos e seus domicílios na Suíça.
1 – Lewis Hamilton (Grã-Bretanha), Luins
2 – Heikki Kovalainen (Finlândia), Coppet
3 – Fernando Alonso (Espanha), Mont-sur-Rolle
4 – Sébastien Bourdais (França), Morges
5 – Adrian Sutil (Alemanha), Oensingen
6 – Sebastian Vettel (Alemanha), Walchwil
7 – Kimi Räikkönen (Finlândia), Wollerau
8 – Nick Heidfeld (Alemanha), Stäfa
9 – Jarno Trulli (Itália), Pontresina

Fotos: Wikipédia e Google
admin | 9:06 am | março 28, 2009 | Cultura, Economia

O site de uma pequena empresa perdida entre as montanhas da Suíça central é o 16° mais visitado no mundo, só perdendo para gigantes como Google, Yahoo, Facebook ou Wikipédia. Como é possível?
Para milhares de internautas, Rapidshare e outros serviços semelhantes de ”filehosters” se transformaram num dos instrumentos mais úteis já criados na web nos últimos tempos. Inúmeros vídeos no You Tube ou sites dão dicas de como utilizar seus serviços. Outros portais foram criados somente para catalogar todos os dados que estão nos 10 petabytes (10.4 milhões de gigabytes) de espaço oferecido pelos suíços nos seus servidores.
O outro lado da medalha é que existem muitas pessoas insatisfeitas com esse sucesso. Dou os nomes: a indústria musical, cinematográfica e de software. O fato é que, lá, a pirataria corre solta, mesmo sendo vista como um efeito colateral e indesejado pelos seus proprietários.
Curioso pelo fenômeno, fui tomar um cafezinho com o pessoal da Rapidshare em Cham, um pequeno povoado no cantão de Zug. Do nosso bate papo escrevi uma interessante reportagem que vocês podem ler clicando no link. Nela vocês vão entender porque a indústria cultural não tem outra chance a não ser procurar formas melhores de vender seus produtos. O velocímetro da Rapidshare mostra que seus segundos já estão contados…
admin | 7:11 pm | março 27, 2009 | Economia

Todos sabem que não existe nada mais fácil no Brasil do que comprar relógio falsificado. Os mais comuns são de marcas famosas suíças como Rolex ou Jaeger-LeCoultre. Os locais de venda são a própria rua ou camelódromos de quase todas as grandes cidades como a Rua Uruguaiana, no Rio de Janeiro, ou a Feira dos Importados, em Brasília.
Nesta última que estive na terrinha, vivi uma experiência sui generis ao testar a compra de um “legítimo” Rolex na banca de um chinês, um dos inúmeros imigrantes que atuam na Feira dos Importados da capital brasileira. Apesar dos seus fracos conhecimentos no nosso idioma pátrio, ele não media esforços para mostrar a qualidade dos produtos. Um dos testes era pegar um prego e riscar várias vezes o vidro do relógio. Ao mesmo tempo ele falava sem parar – “safila, safila, vidlo de safila, eu galanto”. Quando observei que o marcador estava mostrando a data incorreta, o chinês puxou pino da peça e começou a girar os ponteiros. Talvez tenha lhe faltado habilidade, mas para a minha surpresa, o pininho se destacou do relógio e caiu no chão, quicando várias vezes e desaparecendo embaixo de outra banca. Ele chinês não tinha onde enfiar o rosto. Eu agradeci polidamente e disse que passaria outra hora.
Talvez outros leitores tenham tido melhores experiências com esses produtos. Porém, alerto aqui, que algumas das novidades lançadas pela indústria relojoeira podem acabar de vez com a pirataria. Uma delas foi anunciada ontem na Baselworld 2009, a maior feira de jóias e relógios do mundo na Basiléia, pela Hublot: a utilização de SmartCards para identificar eletronicamente os relógios dessa famosa marca genebrina.
Em associação com uma empresa na área de segurança, a Hublot desenvolveu essa espécie de cartão de crédito com um chip integrado, que registra não apenas o código de identidade do relógio, mas também permite aceso privilegiado ao site da empresa.
Quando o cliente compra um legítimo Hublot, ele recebe não apenas o relógio, mas também o cartão e um leitor eletrônico para ser acoplado ao computador. O chip pode ser lido nas lojas autorizadas e pontos de venda, o que permite verificar instantaneamente através da internet a autenticidade do relógio. Com os chineses fazendo cópias cada vez mais fiéis, essa é uma arma considerada efetiva pela indústria relojoeira para lutar contra a pirataria. Nada mais justo, pois gastar uma fortuna e descobrir que seu “suíço” na verdade tem olhinho puxado, não é nada agradável.
admin | 3:01 pm | março 25, 2009 | Cultura

Apesar de ser brasileiro, nunca fui muito fã do cafezinho, pelo menos enquanto ainda vivia na terrinha. Em primeiro lugar, não entendia porque os garçons nos bares do Rio costumam entornar meio pote de açúcar na xícara antes de entregá-la. Também nunca consegui tomar a bebida que sai das cafeteiras nas repartições ou lojas. Elas costumam ser mais açucaradas do que bolo de casamento. Além disso, sempre ouvi falar que a gente exporta o melhor das nossas sementes para o além-mar e que só sobraria a borra.
Meu espanto foi apaixonar-me pelo nosso café tão longe, na Europa. Na foto acima, por exemplo, vocês vêem o maravilhoso expresso servido no tradicional local Schwarzenbach em Zurique (já falamos deles aqui no blog). Por 4 francos e 50 centavos (mais ou menos nove reais), eles servem um cafezinho torrado na hora, água da torneira (vem dos Alpes), um cremezinho (ao invés do leite aguado) e um pedaçinho de chocolate amargo (70% de cacau). Quer mais o que?
Além disso, poucos sabem, mas a Suíça é também um dos líderes mundiais na produção de máquinas industriais de fazer café. Dizem as más línguas que os italianos fabricam as mais bonitas e os helvéticos, as mais eficientes. Das linhas de produção de empresas como a Jura e a Thermoplan – que equipa todas as lojas da Starbucks no mundo, incluindo o Brasil – saem verdadeiras limusines dos bares.
E, para completar a simbiose entre a nossa bebida negra e o país dos Alpes, vou contar algo que poucos sabem: entre 70 e 80% da comercialização mundial do café passa diretamente pela Suíça. Grandes atores do mercado como Phillipp Morris, Volcafé - o segundo maior comerciante de café do mundo – e a Nestlé - a maior torrefadora - têm sua sede aqui. Então, se é verdade a lenda de que o café foi criado pelo arcanjo Gabriel, que quis oferecer ao profeta Maomé uma bebida que o revigorasse, então o vendedor se chamava provavelmente Urs Schweizer.
Foto: Felix Schindler, Tagesanzeiger
2010 Alexander Thoele - Switzerland