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admin | 1:12 pm | agosto 13, 2010 | Cultura

O 63° Festival Internacional de Cinema de Locarno está quase terminando. Amanhã saem os resultados dos filmes ganhadores. Porém dentre as várias pessoas que cruzei por aqui, uma delas me ofereceu um interessante bate-papo sobre a situação do cinema brasileiro e que acabou virando entrevista (clique AQUI para ler).
Rachel Monteiro é assessora internacional do Programa Cinema do Brasil, o lobby da indústria cinematográfica tupiniquim, um modelo que imita organizações semelhantes em outros países como a Swiss Films ou Unifrance. Assim como muitos outros colegas, ela também vê muitos problemas no setor além da simples falta habitual de recursos.
Em primeiro lugar, apenas dez por cento das salas exibem cinema nacional. E quando isso ocorre, como ela bem lembrou, as obras em cartaz são simples adaptações de programas de TV para o cinema. Já a fraca presença no exterior seria um erro próprio: "O cinema brasileiro ainda sofre da imagem do Cinema Novo, ou seja, um cinema muito engajado politicamente ou direcionado à pobreza“, disse Rachel.
Pessoalmente concordo com as suas opiniões, mas acho que o problema vai além dessas questões. O fato é que ninguém obriga as pessoas a irem ao cinema para assistir filmes de Hollywood: é que eles são bons mesmos. Além disso, a indústria cinematográfica do Tio Sam é extremamente profissional no marketing. Um bom produto precisa ser anunciado. É preciso criar uma expectativa em relação a ele. E como a própria Rachel admite, pelo menos um filme brasileiro conseguiu fazer isso nos últimos anos: "Tropa de Elite".
Questionei uma das chefes do Festival de Cinema de Locarno sobre essa questão. Como a maioria dos seus colegas, Nadia Dresti, chefe do Industry Office, também culpa as novas gerações por não gostarem de filmes de autor e preferirem as produções hollywoodianas. "Essa turma foi criada no videogame", disse.
Eu acho isso muito simplista. Também gosto do filme de ator, mas existe muita coisa chata produzida por esses meios que se autodenominam "intelectuais". Talvez o Caetano é que tenha razão: o mundo seria aborrecido sem um Elvis Presley ou também um Steven Spielberg.
admin | 8:21 pm | agosto 12, 2010 | Cultura, Vídeos
A vantagem de manter um blog é poder incluir facilmente vídeos nos meio dos seus textos. Hoje publiquei uma grande reportagem sobre o único filme brasileiro (e latino-americano) a disputar o "Leopardo de Ouro", mas sem poder mostrar algumas cenas dessa nova obra e o clássico no qual se inspirou. Eu começo a matéria com as seguintes palavras:
"Luz nas trevas – a volta do Bandido da Luz Vermelha" participa da mostra competitiva no Festival de Cinema de Locarno. Uma família inteira está por trás desse remake de um dos clássicos da cinematografia brasileira. À imprensa, a diretora explica por que o filme pode ser visto como uma vingança pessoal do cineasta Rogério Sganzerla ao chamado cinema da "Boca do Lixo"
Quer ler o resto? Clique AQUI.
Mas não se esqueça de comparar as cenas do remake e do filme original. Não sou crítico de cinema, mas pessoalmente acho muito mais interessante a história do verdadeiro Bandido da Luz Vermelha do que a sua transposição para a tela. Fico tentando imaginar como era essa personalidade que lembra um pouco também o legendário Lúcio Flávio.
Aqui está o remake…
E aqui algumas cenas do filme original de 1968, dirigido por Rogério Sganzerla.
admin | 8:33 pm | agosto 11, 2010 | Cultura

Não, longe disso. Sou simplesmente um dos inúmeros jornalistas presentes no Festival Internacional de Cinema de Locarno. Porem não é difícil se sentir assim, quando se passeia pelas ruas dela belíssima cidade espremida entre as montanhas dos Alpes e um lago de águas cristalinas.
Ao contrário dos grandes festivais em Berlim, Cannes ou Gramado, aqui tudo é bem familiar, quase convivial. As pessoas se cumprimentam, as estrelas passam sem serem percebidas pela população e os cinéfilos sonham com seus filmes. E tudo isso se transforma em uma grande festa quando a noite chega e a Grande Piazza, a praça central da cidade, se transforma em uma gigantesca sala de projeção como no filme Cinema Paradiso.
Porém Locarno também recebe muitas personalidades. Dentre elas, o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder e pesos-pesados da política e mundo empresarial de várias partes do mundo. Elas se misturam ao povo sem serem percebidas. Muitas estão até mesmo de férias. Eu escrevi uma reportagem sobre esse ambiente tipicamente suíço, ou seja, uma terra sem Vips (clique AQUI para ler).
admin | 6:17 pm | agosto 5, 2010 | Cultura
Calma gente, eu não comecei a psicografar personalidades no além! Trata-se do site de comemoração dos 75 anos da Rádio Suíça Internacional, modernizada há poucos anos para se tornar "swissinfo". Clique na foto para entrar nele…
Meus colegas fizeram uma grande pesquisa nos arquivos e descobriram algumas preciosidades espantosas. Por exemplo, uma entrevista com o Tom Jobim em 1968, quando ele provavelmente se apresentava na Suíça. Também o João Havelange, pede a palavra depois de 24 anos na direção da FIFA para falar ao repórter sobre a globalização e o futuro do futebol. Outras entrevistas históricas foram feitas com o professor Paulo Freire, a bailarina Márcia Haydée e até a Elis Regina, durante uma pausa na sua apresentação em Montreux.
O site também é um grande baú de surpresas para lembrar por que o serviço suíço de ondas curtas foi criado em 1935. A resposta: levar a todas as partes do mundo as notícias do país dos Alpes, não apenas para os suíços do estrangeiro, mas também a todas as pessoas interessadas. Lembro que nessa época o mundo vivia sob o medo da guerra e a ameaça trazida por regimes não democráticos em vários países do mundo como o nacional-socialismo, o fascismo e o comunismo.
O português foi introduzido em 1941. Dolores Ferrero foi a primeira profissional contratada pela Rádio Suíça Internacional. Em 1995 ela foi entrevistada por nossos colegas para contar como era viver nesse período em que metade da Europa estava ocupada pelas tropas nazistas e a Suíça era uma pequena ilha de liberdade, cujos cidadãos viviam em permanente estado de sítio. Quando Hitler iria invadir o país?
Hoje em dia a Rádio Suíça Internacional não transmite mais. Ha pouco mais de dez anos ela foi substituída pela swissinfo, uma plataforma multimídia na internet. Ela nos permite não apenas publicar reportagens, mas exibir imagens, vídeos e até um pouco de rádio, através de podcasts. Porem revelo aos leitores do blog que, até hoje, recebemos inúmeras cartas de ouvintes, nos elogiando pelos programas…de rádio. São realmente fãs no Brasil, África e Portugal. Acho emocionante isso!
Então sugiro a todos dar uma olhada no site dos 75 anos da Radio Suíça Internacional/swissinfo…Clique AQUI.
admin | 3:27 pm | julho 30, 2010 | Cultura

Não sou o que pode se dizer um cristão praticante. Porém ninguém sobrevive completamente incólume a dez anos de Colégio de São Bento sem ter um certo apreço pelas coisas espirituais.
Por isso decidi fazer uma peregrinação nas montanhas suíças. O caminho que escolhi tem mais de dois mil anos e leva até Roma. Porém só dispunha de um final de semana. O que vivi descrevo em uma reportagem sobre o hospício do Grande São Bernardo (sim, a origem dos famosos cachorros com a barrica amarrada no pescoço) e a Via Francegina. Clique AQUI para ler.
Paisagens estupendas, picos cobertos de neve e muita reflexão e reza (clique AQUI para ver as fotos). Tenho certeza que não existe nada mais relaxante e bom para a cabeça do que estar acompanhado de pessoas interessantes curtindo a natureza.
No meu post passado falei da minha decepção com o turismo no Brasil. Alguns leitores até se solidarizaram. Minha intenção não é baixar o malho no nosso país, mas simplesmente protestar contra o descaso das autoridades (e muitas vezes também dos próprios turistas) para as nossas belezas naturais. Se não estivesse caminhando pelos Alpes, acho que não existe uma experiência espiritual mais forte do que ver o nascer do sol em uma praia do Nordeste (como Jeri) ou o vôo de araras no final da tarde em um rio do Pantanal.
admin | 12:29 pm | julho 14, 2010 | Cultura

Ontem fui acometido de grande tristeza ao ler que o "Jornal do Brasil" deixará de circular e terá apenas uma versão na internet. Que triste fim para um dos mais tradicionais órgãos de imprensa do país!
Não só os cariocas estarão órfãos, mas também leitores em todo o país. Que jornal afinal podia se orgulhar de carregar um título tão perfeito, o jornal DO BRASIL? Quantas publicações já se tornaram centenárias no nosso país? O JB passou dos cem e já estava quase batendo a marca dos 120 anos. Agora toda essa história irá se transformar em bits na rede. Suas páginas não serão mais folheadas. Os cadernos não serão mais divididos na praia entre os amigos. Eu não terei mais o prazer de começar meu domingo lendo a revista Domingo. Estou de luto!
Quando nasci, na parte mais crítica dos anos 1960, o JB já abrigava grandes figuras do jornalismo brasileiro. O Gabeira, que lá trabalhou de 1964 a 1968, teve de fazer suas malas e se refugiar na Europa depois que ingressou na luta armada. Assim como muitos jornais, também ele foi obrigado a se autocensurar. Porém continuou sendo o cronista da vida no Rio de Janeiro. E o Carlos Castelo Branco com sua célebre Coluna do Castello? Quem se lembra que até o Rui Barbosa já trabalhou por lá, como redator-chefe?
Formado, foi no JB que publiquei minhas primeiras matérias. Na época o jornal já estava bastante combalido. Lembro-me de ver o reboco de gesso na redação cair em cima da mesa dos fotógrafos. Até o cafezinho era vendido por ambulantes, já que ninguém mais pagava essas regalias. Porém os editores tinham aquele espírito carioca de improvisação e riam da desgraça. O que apresentava de pauta, eles aceitavam. Só o pagamento é que chegava com meses de atraso.
Assim fiz uma matéria sobre o Zoológico de Berlim e também a apresentação de humanos em gaiolas (clique AQUI para ler) no passado. Também mostrei aos leitores como os alternativos viviam na capital alemã em casas ocupadas (clique AQUI). Porém a minha grande reportagem foi sobre um carioca que, pasmem, serviu pela SS no campo de concentração de Auschwitz. Vocês não acreditam? Cliquem AQUI para ler.
O Rio de Janeiro continuará tendo bons jornais como O Globo, porém não será mais o mesmo sem o JB nas suas bancas. Sou um fã da internet, mas nada substitui o prazer de acordar pela manhã e ir à padaria mais próxima com seu jornal embaixo do braço. Será que a praia de Copacabana já tem tomada?
P.S.: O Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil (CPDoc JB) descobriu há pouco dois curtas-metragens do cineasta Nelson Pereira dos Santos sobre o Jornal. Clique AQUI para assisti-los…
2010 Alexander Thoele - Switzerland