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Um super-pardal para pegar maus motoristas0 Comments

admin | 7:29 pm | agosto 9, 2010 | Cotidiano

Alguns amigos no Brasil já me perguntaram se existem pardais na Suíça. Não apenas confirmo, mas também acrescento sempre uma história vivida por mim nesse país.

Era véspera da Semana Santa e eu havia decidido fazer um passeio no belíssimo cantão do Tichino, a parte de língua italiana da Suíça. Quando estava para chegar no túnel do Gottardo, passagem obrigatória para entre o norte e o sul dos Alpes, vi que havia um gigantesco engarrafamento. Antes de começar a ficar desesperado, vi que vários motoristas estavam indo para o acostamento e, de marcha à ré, procuravam descer uma das entradas da rodovia.

Com meus botões, pensei que os suíços talvez fossem como os brasileiros, muito “flexíveis” para interpretar as leis de trânsito segundo sua comodidade. Para resumir a história: no início dessa entrada da rodovia nos aguardava um carro da polícia do cantão de Uri. O agente da lei só perguntava aos motoristas: – “Vocês querem pagar a multa à vista ou com o cartão de crédito?”. Adivinhem de quanto ela era? 500 francos (836 reais).

Mais tarde encontrei um juiz que me explicou os valores elevados das multas na Suíça. Segundo ele, essa é a única forma de educar o motorista. “As pessoas só aprendem quando dói no bolso delas.”

Por isso é que decidi escrever uma reportagem (clique AQUI para ler) sobre uma novidade nas ruas e cruzamentos do país: um super-radar capaz de controlar 22 veículos ao mesmo tempo e verificar onze tipos diferentes de delitos no tráfego.

Lançada por uma empresa helvética, essa máquina foi noticiada por jornais em varias partes do mundo. Leia o artigo para descobrir por que ela se tornará no pesadelo dos… maus motoristas. Eu só posso dizer que aprendi com as multas que já recebi, bem ou mal.

P.S: A leitora Cristina Pyper escreveu-me para dizer que não havia compreendido bem a situação descrita no texto acima. Ela tem razão. Na velocidade escrever, não dei as conexões certas para a situação. Em primeiro lugar, congestionamentos são comuns no túnel do Gottardo, já que ele tem apenas duas pistas, nas quais os veículos trafegam em dois sentidos. Quanto maior a vazão de carros, mais os motoristas têm de esperar na boca do túnel para poder entrar.

Quanto à multa, de fato cometi um erro gravíssimo ao andar de marcha a ré com o carro no acostamento da rodovia. Ele só deve ser utilizado em casos de emergência. O policial argumentou que eu, e os vários outros condutores, havíamos cometido uma infração grave de trânsito. Por isso é que a multa ficou tão elevada. 

Valeu Cristina!


Arco-íris na janela de casa0 Comments

admin | 8:02 am | agosto 7, 2010 | Cotidiano

Outro dia desses, acordei triste ao ver o céu encoberto. Como todos os suíços, também adotei o hábito de colocar entre as minhas preocupações diárias estudos aprofundados da previsão do tempo. Para isso a televisão oferece inúmeros programas, dos quais alguns até com apresentadores engraçados. Eles conseguem até fazer piada com a desgraça, ao recomendar aos telespectadores preparar suas galochas e capas de chuva para mais um bom final de semana…no verão.

Este ano não está para banhistas. Esperei meses para poder inaugurar minhas sandálias havaianas compradas recentemente no Rio e elas estão cheirando à borracha fresca. Porém um dia nublado também pode ter seu charme, sobretudo quando estou sentado no meu apartamento em Berna, cuja espetacular vista dá para o vale do rio Aare e um dos seus bairros mais verdes, a Länggasse.

Da janela descubro no horizonte um grande arco-íris cortando o céu ao meio. Não era a primeira vez que via esse bonito fenômeno da natureza, mas com tanta intensidade era algo inédito para mim.

Na Wikipédia encontrei a seguinte descrição para o arco-íris: "Cristianismo, islamismo e judaísmo dizem que o arco-íris foi intitulado por Deus "arco da aliança", pois logo após o Dilúvio quando a Arca de Noé pousou sobre o Monte Ararat Deus prometeu que nunca mais iria inundar a Terra e depois de cada chuva seu arco apareceria nas nuvens e este seria o símbolo do pacto estabelecido entre Deus e toda carne vivente de toda espécie que está sobre a terra e por todas as gerações futuras…"

Só não encontrei uma explicação para aquela antiga lenda, na qual uma panela cheia de ouro está no início de cada arco-íris. Ou era no final?


Zurique, uma cidade para aproveitar a vida0 Comments

admin | 10:00 pm | julho 9, 2010 | Cotidiano

Hoje tive o belo prazer de começar o dia lendo a matéria de Luisa Valle sobre Zurique (clique AQUI para ler). Na artigo, a jornalista do O Globo descreve o lado moderno da maior metrópole do país, sobretudo os bairros de passado industrial e que hoje se transformaram em lugares da moda.

Eu, pessoalmente, não sou muito fã deles. Um motivo: tomar um café tipo espresso em um desses bares com design futurístico custa mais de cinco francos (nove reais). Também acho chato o jeito “blasé” das pessoas que os freqüentam. Típico é vê-las sentadas com seus Macbooks, vestidas como se tivessem saído de um desfile de moda em Londres e falando das últimas discotecas da moda, dessas que você precisa ser amigo do leão-de-chácara para poder entrar.

Então decidi dar também as minhas dicas de Zurique, onde costumo trabalhar por alguns dias do mês. É possível dizer que, em um país onde muitas vezes o relógio parece que parou de se movimentar, Zurique traz um ar fresco de metrópole, com suas contradições e misturas de tempero.

Para mim, um dos lugares realmente especiais é a Langstrasse, uma rua de duas mãos cortando um bairro popular, onde bordéis se misturam com pequenas lojas de discos, cafés alternativos e casas populares. Aqui no blog já escrevi algumas vezes sobre meus passeios por ela (clique AQUI para ler). Minha comparação com o Rio de Janeiro seria dizer que essa rua lembra bastante o Saara, onde adorava passear para ver a movimentação nas pequenas lojas e os papos nos botequins. Mas por vezes fico me lembrando da Praça Mauá (tudo depende da hora, sobretudo no final da tarde até o início da madrugada).    

Saindo da Langstrasse, outro passeio incrível por Zurique é percorrer uma pequena rua chamada Niederdorfstrasse, no bairro com praticamente o mesmo nome: Niederdorf. Para chegar lá é fácil: bastar sair da estação principal de trem e perguntar a qualquer cidadão. Todos conhecem essa ruela que atravessa a cidade antiga. Caminhando através dos seus paralelepípedos, o turista encontra pequenas lojas, restaurantes, boates, sebos e até uma incrível casa de guloseimas que me lembra bastante a Confeitaria Colombo. Também já escrevi sobre ela (clique AQUI).

Depois de tanta caminhada, o que recomendo é dar simplesmente um mergulho no lago de Zurique. Não precisa nem pagar para entrar em uma das piscinas públicas. Alguns pulam nessas águas cristalinas quase no centro da cidade. E pensar que elas vêm do degelo da neve eterna dos Alpes…que delícia!!!

Foto: Jovens pulando de uma torre de dez metros próxima ao hotel Bellevue, às margens do lago de Zurique. Fonte: Summerfun 


Fui à FIFA para assistir o jogo da Suíça0 Comments

admin | 6:36 pm | junho 17, 2010 | Cotidiano

Aos leitores curiosos em saber como se viveu na Suíça a vitória da sua seleção contra a Espanha, posso dizer que foi um momento mágico. Meus colegas da swissinfo escreveram assim:

"No país em que ocorreu o "milagre de Berna" na Copa de 1954, a imprensa vê a vitória da Suíça sobre a Espanha por 1 a 0 na estréia na Copa 2010 como o "milagre de Durban" e festeja os jogadores da seleção como "heróis nacionais". O primeiro triunfo dos suíços contra os espanhóis em 105 anos foi comemorado com festas e carreatas nas ruas de todo o país. Nos bares, jorrou muita cerveja e os estoques de vuvuzelas no comércio estão esgotados…." (Clique AQUI para ler o resto).

Como se tivessem ganhado a própria Copa, os suíços e seus fãs saíram às ruas para comemorar. Armados com suas vuvuzelas, torcedores de Zurique a Genebra fizeram uma grande farra. As fotos podem ser vistas AQUI.

Curiosamente tive durante o dia uma entrevista com um grande empresário suíço apaixonado na América Latina. Falamos durante uma tarde sobre as grandes possibilidades de investimento no continente e como seus habitantes são abertos às novas tecnologias. Mas não importa, pois essa história conto mais tarde.

O que interesse é o que fiz depois do trabalho: à convite de um amigo, funcionário da FIFA, fui assistir o jogo da Suíça e Espanha diretamente na sede dessa grande organização no topo de uma montanha em Zurique. Para alguns jogos especiais, ela organiza pequenas festas para os funcionários que não viajaram à África do Sul, seus familiares e amigos. Não poderia perder essa oportunidade.

Uma grande parte das pessoas estava com a camisa helvética. Porém esbarrei em um espanhol, chefe dos juízes da FIFA. Também encontrei um brasileiro que organiza o futebol feminino e também a próxima Copa de mulheres na Alemanha, no ano que vem. E depois fui conhecer os escritórios onde esse grupo de privilegiados trabalho. Quase meus olhos caíram…

Foto: essa é a vista de uma das salas de trabalho…

Quem não gostaria de trabalhar ao lado de um campo de futebol com grama artificial, para poder jogar nas horas do almoço? E o almoço pode durar mais de duras horas, pelo menos se as 40 horas semanais forem cumpridas. Mas não apenas isso: os funcionários da FIFA dispõem de um spa e uma academia de esportes dignas de hotel cinco estrelas. Detalhe: ela pode ser utilizada gratuitamente até nos finais de semana. A única recomendação é não utilizar roupas da Nike ou outro concorrente, já que a Adidas é a principal patrocinadora.

No meio tempo do jogo, comi uma maravilhosa paella e continuei torcendo pelos dois. Nessas horas, o importante é ser diplomático…

Foto: vista externa do prédio da FIFA, cujas janelas podem mudar de cor também.

Em 2006 fiz uma entrevista com Joseph Blatter exatamente para falar da Copa na África do Sul. Clique AQUI para ler.

 


Uma seleção de futebol de incapacitados0 Comments

admin | 8:02 am | maio 30, 2010 | Cotidiano

Segundo o Sonntag, apenas dois jogadores da seleção suíça de futebol fizeram a escola de recrutas, ou seja, a formação básica do Exército helvético. As pesquisas do jornal dominical mostraram que algumas das maiores estrelas do time alegaram na época do alistamento problemas de saúde diversos como dores de coluna ou deficiência visual. Um deles seria até "sonâmbulo". A famosa "Nati" é então uma seleção de incapacitados…para a guerra?

A notícia é curiosa por se tratar de atletas, cuja capacidade física no campo chega muitas vezes aos limites. No total, dos 23 jogadores suíços escalados (os que já jogavam e os novos), apenas seis teriam experiência militar. Entrevistados, autoridades militares ressaltaram que ninguém goza de tratamento preferencial durante os exames médicos. Já partidos de direita criticaram a pouca disposição de alguns jogadores de dispor seus talentos esportivos ao serviço da pátria.

Assim como no Brasil, o serviço militar na Suíça é obrigatório. Porém a realidade é que muitos jovens não têm condições de fazê-lo por estar fora de forma – uma conseqüência da falta de exercícios físicos, um sinal da vida moderna – ou terem problemas reais com a saúde. Mas uma grande maioria também prefere dedicar seu tempo ao trabalho ou à própria carreira e não vêem razão em passar meses dormindo em uma caserna e fazendo exercícios de tiro. Então muitos procuram encontrar uma solução para ser dispensado.

No total, a percentagem média de jovens considerados inaptos ao serviço militar na Suíça é de 40 por cento.

Agora uma pergunta aos especialistas: quantos jogadores da seleção brasileira fizeram o serviço militar?


Escrevendo cartas na era da internet0 Comments

admin | 4:37 pm | abril 28, 2010 | Cotidiano

Eu percebi na semana passada que meu restaurante preferido estava mais cheio do que o costume. Os novos clientes eram estrangeiros de várias origens, alguns deles trajando até aqueles coloridos roupões africanos.

Então perguntei a um deles o motivo de tanta movimentação. O árabe explicou que era delegado da sua empresa de correios e que estava participando do encontro anual da União Postal Universal (UPU), o órgão da ONU encarregado de regulamentar todo o setor postal no mundo.

Nesse momento tive um relampejo de curiosidade: quantas pessoas no mundo ainda enviam cartas? Eu mesmo não recebo uma – pelo menos uma cartinha escrita manualmente, com assinatura e selo colado à língua no canto superior direito – há mais de cinco anos. Ao contrário, a única coisa que chega à minha caixa postal são contas a pagar e correio publicitário.

Então decidi ir à UPU para saber se a carta se transformou em um fóssil de museu, enterrada metros de profundidade abaixo das novas tecnologias como a internet. E não é que me enganei redondamente. Respostas a essa questão estão na reportagem publicada por mim hoje no site da swissinfo. Clique AQUI para ler.


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