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Um supercomputador de presente para o Brasil0 Comments

admin | 8:00 pm | agosto 25, 2010 | Política, Suíça

Infelizmente estava muito ocupado nos últimos dias. Aos leitores que pensam ser a Suíça um país monótono, sou obrigado a contradizê-los. O território é exíguo, mas aqui pulsa um coração econômico e político como raramente vivi em outros lugares.

No final de semana, por exemplo, cobri como jornalista um evento muito especial: o 88° Congresso de Suíços do Estrangeiro em St. Gallen (clique AQUI para ler). Como o número diz, há mais de oito décadas emigrantes suíços de todas as partes do mundo se encontram em algum lugar da sua terra de origem para trocar informações, rever amigos e também informar-se sobre as atualidades. Para um pequeno país como a Suíça, com apenas sete milhões de habitantes, é extramente importante manter os laços com aqueles que partiram, muitas vezes há várias gerações.

O respeito é tamanho, que todos os anos um membro do poder executivo (um dos sete ministros que governa o país) sacrifica seu sábado para encontrar essa comunidade. E não apenas isso, dezenas de deputados-federais, senadores, governadores, empresários e outras personalidades também participam. Para um estrangeiro como eu, a impressão é que os suíços se consideram uma grande família, mesmo com todas suas diferenças linguísticas e culturais.

E voltando ao assunto da falta de tempo, informo aos leitores que estou viajando ao Brasil. Acompanho como jornalista a delegação de Didier Burkhalter, ministro suíço do Interior, e mais dezenas de grandes figurões do mundo científico helvético, incluindo também os chefes das Escolas Politécnicas Federais, que são consideradas umas das melhores instituições de ensino e pesquisa da Europa.

O programa é impressionante: encontros com quatro ministros brasileiros e centenas de pesquisadores brasileiros. E não acreditem que a viagem é apenas para ter impressões do maior país da América do Sul. Na bagagem, os suíços estão trazendo um presente aos brasileiros: um dos mais possantes computadores do mundo. Não acreditem? Leiam a minha reportagem (clique AQUI).

P.S: na foto, o ministro Didier Burkhalter é o primeiro a partir da esquerda.


Dia nacional da Suíça: um café da manhã patriótico0 Comments

admin | 9:10 pm | agosto 1, 2010 | Suíça

Hoje é um dia patriótico no país dos Alpes. Para explicar, apresento um pequeno texto tirado da Wikipédia: “…1° de agosto de 1291 é a data do início da Confederação Helvética. Esta data foi encontrada num documento que já foi autenticado através de uma análise radio nuclear de Carbono-14…”

Como publicamos na swissinfo, essa data costuma ser celebrada de forma bastante calorosa pela população e também seus políticos. Curioso é o fato de cada um dos sete ministros do governo federal participar de alguma forma dos festejos, geralmente através de discursos. Porém até mesmo aparecer em um café da manhã por ser também uma forma de demonstrar seu apego patriótico.

Impressionantes são, sobretudo, os fogos de artifício. Da minha janela em Berna, por exemplo, assisto agora no alto do céu um espetáculo digno de réveillon na praia de Copacabana. E…viva a Suíça!!!!

No áudio-slideshow abaixo, meu colega mostra como se comemora o 1° de agosto em uma das maiores colônias de migrantes suíços: a Helvetia ou Colônia Helvetia é um bairro rural situado no município paulista de Indaiatuba fundado em 14 de abril de 1888.


Plantador de maconha acaba greve de fome0 Comments

admin | 3:12 pm | julho 21, 2010 | Suíça

Ontem contei aqui no blog um pouco da história de Bernard Rappaz, o agricultor suíço que está preso por ter plantado e comercializado maconha. Até então ele estava fazendo uma greve de fome contra a decisão que o colocou atrás das grades.

Hoje fomos informados que Rappaz acabou a greve. Graças à seguinte concessão: as autoridades judiciárias vão permitir, sob severas condições, que ele cumpra sua pena de prisão em casa. Assim o agricultor poderá sair do hospital penal em Berna, onde até então estava sob tratamento médico.

A decisão foi tomada pelo Supremo Tribunal (Bundesgericht) da Suíça como resposta ao recurso entregue por Rappaz. Seu objetivo é preservar com todos os meios a vida do agricultor, incluindo também alimentação forçada, caso ele continuasse a recusar comida.

Nos comentários postados no primeiro artigo, percebi que muitos leitores têm uma opinião dividida em relação ao consumo e à liberalização da maconha. Posso relatar aqui, que também compartilho essas dúvidas. Sobretudo uma audição no Parlamento helvético me obrigou a relativizar minhas opiniões liberais: médicos relataram o número crescente de casos de psicoses entre adolescentes fumantes de maconha, que hoje em dia contém uma concentração muito maior de THC (Tetraidrocanabinol), a substância psicoativa encontrada nas plantas.

"A maconha de hoje em dia não tem nada a ver com a dos anos 60. Um jovem de 15 anos que fuma skunk (maconha com forte concentração de THC) está brincando de roleta-russa, pois não sabe se têm tendência ou não de desenvolver uma doença mental sem cura", relatou um dos médicos frente aos parlamentares.


Greve de fome em prol da maconha0 Comments

admin | 2:59 pm | julho 20, 2010 | Suíça

Um agricultor chamado Bernard Rappaz, originário do pequeno vilarejo de Saxon, no cantão do Valais (sudoeste), é um dos pioneiros da plantação de maconha na Suíça. No verão de 1996, ele comunicou à polícia cantonal que estava produzindo os famosos "Hanfduftkissen", saquinhos aromáticos contendo as flores secas da cannabis sativa. Oficialmente esses saquinhos serviriam para aromatizar roupas no armário, porém muitas pessoas preferiam mais fumar seu conteúdo.

Nessa época ainda havia uma grande tolerância na Suíça em relação aos produtos da afamada planta. Afinal, a grande preocupação sempre foi combater o tráfico e consumo de drogas pesadas. Porém o eleitor não aprovou a liberação total da maconha, como foi bem demonstrado em um plebiscito popular de 2008 (clique AQUI para ler).

Em dezembro de 1996, Rappaz foi preso mais uma vez pela polícia. Durante 42 dias ele fez uma greve de fome até poder sair da prisão. Um ano depois ganhou a Copa Mundial da Maconha promovido pela revista holandesa "High Times" com um cruzamento próprio, a "Walliser Queen". Em janeiro de 1999, ganhou o primeiro prêmio na "Canna Swiss Cup" em Berna.

Rappaz é fundador e chefe de uma cooperativa de produção de maconha chamada "Valchanvre". Quando a polícia helvética revistou suas instalações, acabou descobrindo 50 toneladas de erva. Então ele foi processado por plantar maconha com uma percentagem de THC acima dos 0,3%, o que é (e continua sendo) ilegal.

Desde então, o agricultor suíço já foi preso outras vezes. No final de 2001 fez mais uma grave de fome, dessa vez durante 56 dias. Ao ser libertado em 25 de janeiro de 2002, o agricultor fez a seguinte declaração à imprensa: "Prefiro uma morte lenta e consciente pela maconha suíça e um mundo melhor."

Depois de mais anos de processos por outros delitos relacionados ao tema, finalmente a justiça o condenou a mais uma pena de 5 anos e 8 meses de prisão. Quando foi levado à cadeia, em 20 de março de 2010, ele iniciou outra greve de fome. Desde então não parou mais de jejuar.

À beira da morte, Rappaz se tornou agora uma grande dor de cabeça para as autoridades helvéticas. Como noticiamos ontem na swissinfo (clique AQUI para ler), elas ordenaram que ele seja alimentado à força. O grande medo é que o agricultor acabe se tornando o primeiro mártir da maconha no mundo.

Abaixo coloquei dois vídeos que contam um pouco da história desse estranho personagem. Aos leitores de julgar o seu comportamento…

 

Au Nom du Chanvre partie1
Hochgeladen von dailybid82. – Entdecke mehr Videos aus Wissenschaft und High-tech.

 

Au nom du Chanvre partie2
Hochgeladen von dailybid82. – Entdecke mehr Videos aus der Wissenschaft.


Jornalismo é exercício de dialética0 Comments

admin | 3:13 pm | junho 30, 2010 | Suíça

Depois de alguns dias de ausência, finalmente retorno à Suíça e às linhas desse blog. A primeira notícia que li nos jornais também me deixou um pouco entristecido, além do retorno pouco glorioso da seleção helvética à terrinha: o falecimento de Alfred Donath, ex-presidente da Federação Suíça de Comunidades Israelitas.

Lembro-me, em 2003, de tê-lo entrevistado em Genebra (clique AQUI para ler). O médico recebeu-me em seu escritório para conversar francamente sobre um tema complicado para todos os judeus: a invasão do Iraque pelas tropas americanas. Ao contrário dos seus pares, Donath professava abertamente oposição a essa ação das forças ocidentais, mesmo lembrando que Saddam Hussein já havia cometido muitos crimes contra sua própria população e outros povos vizinhos.

Como considero a disputa entre palestinos e israelenses uma das questões-chave para a segurança mundial, entrevistei cinco anos depois o jornalista Henryk M. Broder, um dos judeus mais conhecidos da Alemanha (clique AQUI para ler). Apesar da coincidência dos cabelos brancos, este tinha posições diametralmente opostas de Donath. Questionado sobre a validade da invasão do Iraque, ele respondeu-me o seguinte:

"Na época, eu apoiei a invasão do Iraque por uma razão: para mim era indiferente se havia ou não armas de destruição em massa; Saddam Hussein era uma arma de destruição em massa. Eu não tenho grande consideração pela soberania dos Estados. Ela não é um valor que necessita ser defendido. Por isso, estava totalmente de acordo com a guerra e sua justificativa, que era tirar Saddam do poder. Porém, se você diz que existem outros países vilões, estou totalmente de acordo. Mas é preciso começar de algum lugar."

Jornalismo é, de fato, um exercício de dialética…


Ajudem a salvar o meu trabalho!!!0 Comments

admin | 4:45 pm | junho 2, 2010 | Suíça

Hoje vou escrever um post em causa própria. O tema é o possível fim da swissinfo, o site da Rádio Suíça Internacional, uma instituição com mais de 75 anos de serviço informativo.

Como atualmente em muitos países europeus, também a Suíça se sente obrigada a apertar os cintos para enfrentar um futuro que se anuncia sombrio. Por isso lançou há pouco tempo um amplo programa de corte de despesas e que está atualmente em debate no Parlamento helvético. Dentre as propostas apresentadas: suprimir as subvenções à swissinfo.

Se na época da II. Guerra Mundial, a Rádio Suíça Internacional/swissinfo era a uma das poucas vozes independente a informar um continente sitiado pelo nazismo, além da BBC, hoje ela é uma plataforma sem fins lucrativos ou políticos voltada para todas as pessoas interessadas na Suíça ou em temas que ocorrem aqui, indo dos eventos culturais até debates na Organização Mundial do Comércio.

Para quem acredita que informação é serviço público, convido os leitores a assinar uma petição eletrônica em prol da swissinfo. Muito obrigado! 

CLIQUE AQUI para assinar…


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