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Por que países depressivos são os melhores para viver?0 Comments

admin | 5:08 pm | agosto 19, 2010 | Economia

Hoje meu colega espanhol publicou um interessante artigo (clique AQUI para ler) sobre uma recém-publicada pesquisa da revista Newsweek sobre os melhores países do mundo. Para minha admiração, a Suíça se classificou em 2° lugar. Ou seja, estou vivendo no segundo melhor país do mundo, um paraíso de segurança, abastança e saúde.

Esse não é o primeiro ranking, no qual a Suíça chega na pole position. De fato, a Suíça chegou a um nível de bem-estar pouco imaginado pelos ancestrais dos atuais habitantes. Muitos acordam pela manhã, olham os Alpes pela janela de casa, tomam leite fresquinho de vacas que pastam em campos verdejantes e vão ao seu trabalho, sem se preocupar com a escola dos filhos (gratuita e de boa qualidade), a saúde (hospitais de 1° mundo) e as contas para pagar (os salários mais elevados da Europa). Outros até precisam procurar um problema, provavelmente com o vizinho.

Agora curioso é o comentário publicado em um dos blogs da Newsweek. "Com os melhores países como esses, por que nações frias, escuras, pequenas e depressivas ficam em primeiro nos ranking?", é o título do post (clique AQUI para ler). Ele explica um pouco do mistério da eterna boa classificação da Suíça e outros países escandinavos.

A resposta: Os "melhores países" do mundo parecem ter algo em comum: eles evitam guerras, vivem na escuridão e mantém um firme estado de depressiva e produtiva atividade.

Já os Estados Unidos, que ficou na 11° posição do ranking dos melhores países do mundo, têm os seus problemas: "é o único país do mundo que escreveu no seu documento fundador o princípio da busca pela felicidade, garantindo dessa forma que ele nunca seria satisfeito."

Realmente muito interessante essa consideração. Um detalhe: o Brasil ficou na 48° posição do ranking, atrás de países como Jamaica, Peru, Costa Rica, Chile e Coréia (15°). Por que será?


A perfeição no turismo…0 Comments

admin | 11:23 am | julho 29, 2010 | Economia

Acabo de assistir o vídeo da nova campanha da Suíça Turismo. É engraçadíssimo!

 

 

Depois de tanto rir, comecei a pensar no enorme profissionalismo do órgão oficial do turismo no país dos Alpes. Como jornalista tenho acompanhado há oito anos o trabalho deles e só posso elogiar. Tudo é perfeito: a estratégia de marketing, as viagens de jornalistas, a escolha de temas e os serviços oferecidos aos turistas.

Não é à toa. A contribuição do turismo à economia suíça é marcante: segundo os números atuais, turistas estrangeiros gastaram 15,6 bilhões de francos (262 bilhões de reais) na Suíça em 2008. Assim, o turismo representa uma das mais importantes fontes de renda do país. Esse setor assegura 5,1% das rendas obtidas com a exportação e fica, dessa forma, em quarto lugar no ranking dos setores de exportação, apenas atrás da indústria química, metalúrgica, de máquinas e a indústria relojoeira.

Quando leio esses números, penso sempre no potencial do turismo brasileiro. Porém a realidade é triste, como pude perceber nas minhas últimas férias em Maceió. E por quê?

- As praias estavam completamente poluídas. Até um "tolete" gigantesco (quem fala "nodertinês" sabe o que estou falando) encontrei na areia, poucos metros do local onde as crianças brincavam.
- Perigos frequentes de assaltos no calçadão.
- Secretaria de turismo só trabalha pela manhã. Inexistência de postos de informação para turistas.
- Ninguém domina outros idiomas além do português.
- Inexistência de brochuras ou guias com informações sobre todos os potenciais turísticos de Maceió e Alagoas.

Havia outros problemas, mas que não vale a pena mencionar. O fato é que Alagoas, assim como vários estados brasileiros com potencial de turismo, ignora quase que completamente esse setor, onde tantos desempregados poderiam estar trabalhando. Vocês não concordam?


O futuro está na telemedicina0 Comments

admin | 3:34 pm | julho 26, 2010 | Economia

Imagine, caro leitor, estar sentado tranquilo no metrô, lendo o jornal depois de um duro dia de trabalho, e repentinamente sentir uma pontada no coração. As dores aumentam e você acha que pode estar tendo um ataque cardíaco. A primeira reação é chamar uma ambulância. Mas será que as pessoas nela serão capazes de descobrir o que está acontecendo? E se fizerem o diagnóstico errado? E se demorar muito tempo para chegar às mãos de um especialista?

Essa situação seria diferente se o médico na ambulância tiver acesso, via celular, à ficha médica (incluindo o grupo sanguíneo). Um eletrocardiógrafo portátil faria um rápido exame e enviaria todas as informações diretamente aos melhores cardiologistas do Brasil. Eles analisam o quadro e enviam as instruções à ambulância acerca do melhor tratamento, tudo em questão de segundos.

Para ser sincero, ainda não me preocupei com esse tema, mas ao assistir uma interessante palestra, decidi escrever algo sobre isso (clique AQUI para ler). Nesse dia conheci Hans Ulrich Spiess. Depois de trabalhar a vida inteira para uma grande multinacional, esse empresário suíço decidiu abrir seu próprio negócio na área de telemedicina. Dez anos depois, ele tem hoje um império que chega até ao Brasil na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e, brevemente, no Instituto do Coração.

Seus aparelhos são utilizados hoje em todo território nacional. Provavelmente, salvando vidas. A tecnologia tem também suas vantagens.


Livre comércio é sonho de utopistas0 Comments

admin | 5:05 pm | junho 4, 2010 | Economia

 

Não faz muito tempo, participei em Zurique de um seminário organizado pela Câmara de Comércio Latino-Americana na Suíça sobre investimentos no continente ao sul, hoje considerado um eldorado econômico.

Foi muito interessante, sobretudo pelos relatos de empresários sobre suas tentativas de colocar um pé no Brasil. Um deles, produtor de plataformas para telemedicina, revelou taxas de crescimento de dois dígitos. "Esse é um país de pessoas abertas às novas tecnologias, flexíveis e com muita vontade de aprender", afirmou animado. Outro contou aos presentes que sua empresa está a um passo de vender uma tecnologia de ponta para a fabricação das novas cédulas de identidade brasileiras e não cessava de dizer aos presentes que ninguém deve perder a oportunidade de investir no Brasil.

Porém uma das palestrantes veio falar de um tema mais problemático: o livre comércio. A embaixadora Monika Rühl é delegada do governo Suíço para as negociações de tratados de comércio e, como tal, a pessoa ideal para explicar porque as rodadas Doha das negociações da OMC estão emperradas. Na entrevista que fiz com ela (CLIQUE AQUI para ler), perguntei tudo sobre o assunto. Assim descobri que o mundo realmente está num impasse. Livre comércio é ainda uma utopia.

Agora o leitor deve me perguntar? E o que isso me concerne? Em primeiro lugar, vários empresários suíços queixaram-se das taxas de importação no Brasil e da enorme burocracia. Isso significa mais tempo para modernizar o nosso parque industrial, menos concorrência aos produtos de baixa qualidade (lembram-se das carroças do Collor?) e, finalmente, menos empregos.

E vice-versa, o mesmo problema: o acesso aos mercados europeus é fechado ou estreito como uma agulha para diversos produtos brasileiros, sejam agrícolas ou industriais. Isso também significa menos empregos e divisas.

Não sou um adepto do liberalismo, mas confesso aos leitores que seria tão feliz de poder comprar uma boa picanha brasileira para colocar no meu churrasco aqui na Suíça. Seria uma alegria comparável a que tive no dia em que a Lei da Informática caiu no Brasil. Logo comprei meu primeiro computador…


Do esgoto até o copo d’água0 Comments

admin | 8:53 pm | maio 28, 2010 | Economia

Se uma coisa que jornalista não gosta (ou não deve gostar) é fazer propaganda. Isso vale mesmo se ele é convidado a fazer uma bela viagem ou recebe um brinde. É tudo (ou deveria ser) uma questão de ética!

Mas o que fazer se um produto é tão simpático, que quase não há argumentos para falar mal? Isso ocorreu comigo ao visitar uma pequena empresa em St. Gallen, ao leste da Suíça, onde são produzidas máquinas de filtragem e dessalinização de água. O detalhe interessante é que elas funcionam apenas com energia solar ou eólica.

Eu fiz o teste de beber água tirada de um lago. Ela tinha até um sabor meio “plastificado”. A explicação é que os recipientes de armazenagem eram ainda novos. Depois olhei para o local de onde a bomba retirava o líquido e vi que este tinha uma cor esverdeada. “É por que o sol bate na água e incentiva a criação de algas”.

Agora imaginem se esses fantásticos aparelhos fossem utilizados em algumas favelas como a que aparece na foto acima? Seria possível fornecer às suas populações água potável retirada diretamente desses rios pútridos repletos de lixo? Segundo um engenheiro da Trunz, a resposta é positiva.

Essa empresa fará seus testes no Brasil em breve. Querem adivinhar onde? Leiam a reportagem que escrevi. Clique AQUI para ler.

Eu juro aqui nestas linhas não ter recebido nenhum brinde ou “jabá” para fazer o meu trabalho, mas pensei com meus botões que existem empresários realmente interessados em fazer produtos úteis à humanidade. A questão é saber se investimos neles ou nos bancos que estão quebrando…


As melhores e piores cidades da Suíça0 Comments

admin | 3:21 pm | maio 18, 2010 | Economia

Como todos os anos, a revista econômica Bilanz publica o seu ranking das melhores e piores cidades na Suíça. E quem ganhou? Zug. Essa capital do dinâmico cantão localizado na Suíça central pontuou graças às excelentes qualificações no mercado de trabalho, riqueza, saúde, segurança e situação social.

Em segundo lugar ficou Zurique, a maior metrópole do país dos Alpes. Seus pontos fortes são os transportes e boas escolas e excelentes universidades. Terceiro foi para Lucerna, uma pérola de cidade às margens do lago com o mesmo nome e que, obviamente, levou o troféu graças às estrelas que ganha em quesitos como turismo, transporte e mercado de trabalho.

A novidade de 2010 é que os autores da análise, a empresa Wüest & Partner, a maior consultoria suíça no setor imobiliário, também utilizou os 107 parâmetros estatísticos para avaliar as cidades segundos diferentes grupos: famílias, solteiros, ricos e aposentados.

Adivinhem então qual é a melhor cidade suíça para solteiros? Genebra é a resposta (Zurique e Winterthur vêm respectivamente na 2° e 3° posição). E qual a melhor metrópole para os aposentados? Lugano, Locarno e Solothurn. Para os ricos não poderia ser outra cidade: Zug, que tradicionalmente está na "pole position" dos lugares onde menos se paga imposto na Suíça. Depois vem Freienbach e Küsnacht.

Esqueci algum grupo? Ah sim, as famílias: as melhores cidades para elas são Zug, Lucerna e Zurique.

Na lanterninha das cidades suíças, ou seja, lugares que ninguém deveria morar segundo o estudo: Amriswil (125° posição), Grenchen (126), Wohlen (127), Steffisburg (132) e Le Locle (134).

Mas tudo isso é relativo. Eu conheço algumas dessas cidades e posso dizer que são bem agradáveis. Porém muitas delas estão em regiões que vivem uma relativa decadência econômica como é o caso de Le Locle, cujos bons tempos da indústria relojoeira já pertencem ao passado. Com segurança alguns imigrantes brasileiros que vivem nelas podem ter outra opinião, sobretudo se levarem em condição a situação que viviam nos subúrbios de metrópoles brasileiras como Recife, Belém ou Salvador.

Em todo caso, acho que seria interessante aplicar a mesma metodologia no Brasil. Qual seria a melhor cidade para os aposentados? Maceió? Porém só com uma aposentadoria do Tribunal de Contas, não? E qual a melhor cidade para as famílias? Florianópolis, onde o sistema de saúde é exemplar ao contrário de muitas capitais nordestinas? E para os ricos? Difícil pergunta, pois estes não devem se sentir seguros em lugar nenhum do Brasil. Alguém tem a resposta? 

Foto: vista da cidade de Zug (crédito: picswiss.ch)


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