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admin | 6:20 pm | junho 24, 2010 | Uncategorized

Querido pai,
No começo você era meu herói.
Lembro-me, quando criança, como você improvisava para me distrair contando histórias fantásticas sobre lugares distantes. Impressionante foi ver você sair do mar com um peixe na mão durante aquelas férias na praia. E a coragem daquele pulo que demos de cima de um trampolim quando tinha apenas cinco anos? Os olhos críticos não entendiam que você apenas me mostrava como era possível descobrir o mundo e que precisava do seu braço para abrir as suas portas.
Eu te via tão grande e forte. E você também fazia viagens, seu grande prazer. As surpresas trazidas nas malas e nos relatos sempre tornavam mais ansiosos os momentos em que você estava ausente. Essa angústia só fez aumentar com o passar dos anos. Pois a vida acaba se tornando uma sucessão de separações, algumas curtas e outras longas. E então aprendemos a aproveitar intensamente, e com alegria, cada segundo do espaço de tempo em que a porta se abre até quando se fecha.
Depois me tornei um jovem. Já queria discutir em pé de igualdade contigo. Ousava mesmo até tentar corrigir seus defeitos, aqueles que via e os que criava na minha cabeça, pois adolescentes sempre vêem defeito em tudo. Porém continuava a te admirar, já que questionava se seria capaz de enfrentar a vida com tanto sucesso como você. Eu nem percebia que meus caminhos estavam sendo abertos silenciosamente para mim por suas mãos.
Quando adulto viramos amigos. Eu vivia em outro continente e você enfrentava as horas de viagem para passar algumas semanas comigo. Eu te colocava em cada situação: depois de uma festa, onde meu prazer era ver como você se sentia tão jovem como os presentes, acabamos perdendo o trem e tivemos de compartilhar uma cama de solteiro. Você até brincou ao dizer que nem da esposa ficava tão próximo do cangote.
Transformei você em repórter auxiliar para poder me acompanhar no trabalho. Talvez o ápice das nossas aventuras tenha sido o banho-turco em Istambul, onde você mais uma vez fez piada: “o meu filho me coloca em cada enrascada, afinal nunca imaginei estar sentado numa mesa de mármore sendo massageado por um homem de bigode”, disse. Nós rimos juntos e dividimos um bule de chá preto. Quando você dormiu, pensei como era privilegiado por ter um pai como amigo.
Os anos passaram e eu percebia que seu andar já não era tão firme. Agora você mesmo precisava do meu braço para não cair no vazio. Quando seu coração palpitava ou a respiração apertava, era eu que lhe protegia.
Como adulto também descobri que seus defeitos acabaram se tornando meus defeitos. Mas descobri também, que a sua maior lição foi ter me mostrado que eles existiam e que poderiam ser contornados. Passei então a me ver como um espelho de você e admirei ver no seu rosto sempre aquele sorriso carinhoso, mesmo quando o contato era apenas virtual, através de fios de computador.
Agora que você parte, me sinto mais uma vez como uma criança que se desgarra do pai no meio da multidão. Choro até perder os sentidos, mas sei que você não retornará. Preciso continuar meu caminho pelos meus próprios meios.
Porém sei que você estará sorrindo neste momento, por saber que nunca morrerá. Pois como nos filmes que você tanto gostava de ver, existe aquele que conta a história de uma casa atrás da floresta. Eu vou abrir sua porta e descobrir você sentado na cadeira. Iremos então passar um dia inteiro rindo como no passado. Quando a noite chegar, você irá me dizer que é hora de ir. Vou chorar e você simplesmente vai responder: “Essa casa sempre vai se encher de luz em todos os momentos em que você pensar em mim. Então irei acordar e colocar você no meu colo para contar mais uma longa historia, como aquelas que você tanto gostava de ouvir.”
Como todo amor
Seu filho,
admin | 6:37 pm | junho 14, 2010 | Uncategorized
A Copa chegou, pelo menos no meu bairro na capital suíça. Em todos os prédios na cercania, descobri apenas duas solitárias bandeiras helvéticas e a minha, verde e amarelo. Porém as baterias estão sendo carregadas lentamente. Quando chegarmos nas oitavas-de-final, seguramente estarão todos os habitantes de Berna à todo pique.
E por falar na pátria distante, não pude comparecer a um evento organizado pela Embaixada do Brasil em Berna: uma exposição fotográfica em homenagem aos 50 anos de Brasília, a cidade onde passei oito anos da minha vida.
Por sorte, minha amiga Deborah Biermann esteve por lá e escreveu as linhas abaixo para descrever o evento. Acho importante mencioná-lo, pois o trabalho do fotógrafo Adonai Rocha é realmente impressionante. Tratam-se de imagens em 360° da nossa capital: clique AQUI para ver.

Foi na última quarta-feira, num 09 de junho com calor tropical e um agradável coquetel, que a Embaixada do Brasil em Berna recebeu convidados especiais para a abertura de uma exposição de fotos sobre Brasília, o Distrito Federal Brasileiro, em comemoração aos 50 anos de sua fundação e inauguração.
As fotos, aquelas velhas conhecidas de todos nós brasileiros, pertencem ao fotógrafo Adonal Rocha (não presente) e documentam os prédios e locais principais que servem até a data de hoje como principais cartões postais da do Distrito Federal Brasileiro.
O que era apenas um ‘x’ no papel, deu origem ao plano piloto, o esboço de um sonho que foi transformado numa realidade símbolo da arquitetura e da engenharia mundiais.
Brasília é a única cidade totalmente projetada e construída durante o século XX que foi agraciada com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
A exposição de fotos sobre o Distrito Federal, centro administrativo e centro geográfico do Brasil, foi inaugurada com um discurso de Sua Excelência a Embaixadora Maria Stella Pompeu, que ressaltou o imenso legado que desempenha o estabelecimento da capital numa região estratégica como o Planalto Central dentro do desenvolvimento do Brasil bem como o respeito pelo seu principal articulador, o mundialmente conhecido Arquiteto Oscar Niemeyer, ainda vivo aos 102 anos de vida.
O local escolhido para a exposição possui diversas ligações com a arquitetura local. Sua origem remota o século XVII, quando foi edificado e chega aos dias de hoje, totalmente renovado e representando um dos mais importantes centros culturais da região.
O prédio passou a acolher o acervo da Biblioteca Municipal (e filiais) em 1998 após a conclusão de longas obras de renovação e restauração, transformando-se em seguida em um centro de informação e mídia. Ao inaugurar uma exposição de fotos nas dependências deste centro cultural, o evento passou igualmente a fazer parte da agenda de eventos culturais da cidade, um livreto bem bolado que o centro de turismo distribui gratuitamente em pontos estratégicos da cidade aos turistas locais e internacionais, com dicas e sugestões de passeios e programas. A agenda pode ser igualmente acessada online na página do Centro Municipal de Turismo.
A idéia da Embaixada, declara Sua Excelência a Embaixadora, é oferecer aos passantes e interessados uma boa impressão do que significa Brasília em termos de arquitetura, salientando sua arte e sua beleza. Isto fica facilitado por estar o edifício Kornhaus localizado em região central da cidade e fazer parte constante do roteiro turístico dos visitantes de dentro e fora do país.
As fotos possuem todas legendas em três idiomas, em português, francês e alemão e encontram-se bem dispostas já na entrada da Biblioteca. A exposição permanece aberta ao público até dia 26 de junho de 2010.
Deborah Biermann
Na foto: Márcia Pinto do Departamento Cultural, Embaixadora Maria Stella Pompeu e Ministro-Conselheiro
Unaldo de Souza
admin | 8:52 am | janeiro 3, 2010 | Uncategorized
Ufa, não agüento mais comer. O final do ano foi para mim, como muitas pessoas, também um período de excessos. Por isso decidi entrar em 2010 com alguns objetivos, sendo que o principal deles é ser mais moderado (em todos os sentidos).
Um texto que me inspirou bastante nesse sentido foi publicado no New York Times pelo jornalista e ativista político Michael Pollan. "Refeições tristes" já começa com um mantra que me impressionou imensamente: "Coma comida. Não em demasia. Em grande parte, plantas."
Quem acha tudo isso uma balela, precisa ver o engraçadíssimo blog sobre o paraíso do fast food, os Estados Unidos. Eu morro de rir ao ver as fotos, mas teria na verdade que chorar…
Porém este blog não quer ser um espaço pessimista. E para alegrar o domingo, apresento aqui um comercial suíço eleito como o melhor de 2009. É genial!
admin | 8:51 am | janeiro 2, 2010 | Uncategorized

Uma das tradições mais interessantes que eu conheço na Suíça é a foto oficial do governo federal. Ela é sempre realizada todos os anos por um artista segundo um conceito artístico, muitas vezes até mesmo inspirado pelos próprios ministros.
No ano passado, o gabinete se mostrava estático frente a um fundo estilizado de cruzes helvéticas (clique AQUI para ver as fotos passadas). Em 2010, os ministros queriam uma imagem mais dinâmica. Por isso aparecem caminhando em coluna de dois (são sete ministros mais a chanceler, um cargo administrativo). O sorriso nos rostos serve para marcar o otimismo depois de um ano cheio de crises.
O fundo deformado em pixel mostra o Palácio Federal, o prédio ministerial e do Parlamento suíço em Berna.
Para os leitores que já assistiram o fantástico filme “Avatar” e tem em casa os óculos para ver em 3 dimensões, o governo helvético também preparou a sua foto anual nesse formato.

Na imagem (da esquerda à direita): Ministro Didier Burkhalter, chanceler Corina Casanova, ministra Eveline Widmer-Schlumpf, ministro Ueli Maurer, ministra Micheline Calmy-Rey, ministro Hans-Rudolf Merz, ministra e presidente da Confederação Helvética em 2010, Doris Leuthard, ministro Moritz Leuenberger (vice-presidente). Foto: Alex Spichale, Baden
admin | 9:39 pm | abril 6, 2009 | Uncategorized
Sabine Timoteo, 34 anos, é considerada um dos maiores talentos do país dos Alpes. Ganhadora de diversos prêmios nacionais e internacionais, seu sucesso vêm, sobretudo, da encenação de difíceis papéis em filmes "cult" na Alemanha e também na televisão.
O curioso da jovem atriz é sua notória aversão ao sucesso. Ela vive com seu marido peruano e dois filhos em um simples apartamento de três quarto em "Lorraine", onde eu também vivo em Berna. Esse bairro popular é um conhecido reduto que mistura boêmios, estudantes, desempregados, artistas e imigrantes em um espaço que poderia ser comparado no Rio de Janeiro à Santa Tereza. Vez ou outra encontro-a no supermercado ou na piscina pública. E um detalhe tipicamente suíço: todos a conhecem, mas ninguém enche o saco dela pedindo autógrafos.
Eu queria contar esta história, pois Sabine Timoteo está sofrendo atualmente um ataque impiedoso da mídia. Motivo do crime: ela participou como atriz de uma série policial alemã chamada "Tatort" (tradução: Local do crime), onde ela encenava uma investigadora enviada pela Suíça para ajudar a desvendar o assassinato de uma astróloga. A fúria de milhares de telespectadores suíços não foi exatamente as qualidades de interpretação da jovem atriz, mas sim a maneira como ela falava alemão com sotaque helvético.
"Doeu no ouvido", "Ela fala como um idiota", "Me sinto insultado", "Vergonha, vergonha" foram alguns dos comentários publicados nos jornais por leitores em fúria. Algumas das manchetes chegam a falar em "traidora" ou "Ninja dos Alpes". A principal crítica é de que ela teria colaborado para a onda de críticas sofrida pela Suíça atualmente. E pior: ridicularizando os helvéticos e reforçando certos clichês. Pouco depois, ela publicou no seu site desculpas formais e prometia nunca mais participar da série de TV.
O motivo de tanta repercussão na mídia está no clima atualmente envenenado entre a Suíça e a Alemanha. Como já contei em outros posts, o país dos Alpes tem sofrido enormes pressões contra a sua praça financeira. Na reunião do G-20, ela chegou mesmo a ser colocada em uma lista "cinza" de paraísos fiscais que estão "sob observação". Não é a toa que cada crítica vinda de fora, mesmo na forma de uma ironia, possa ser vista como um ataque aéreo.
Por falar em paraísos fiscais, publiquei no último domingo uma entrevista com um famoso jornalista econômico suíço. Nela procuro saber por que o debate sobre está tão acalorado aqui nestas terras. Para Vontobel, o sigilo bancário é uma questão de vida ou morte. Vale a pena a leitura!
admin | 8:42 pm | fevereiro 25, 2009 | Uncategorized

O Gurten é a montanha de Berna. Com seus 858 metros acima do nível do mar, ela oferece espaço de lazer e diversão para os habitantes da capital helvética. Quando cai bastante neve, o que ocorreu com bastante freqüência nesse inverno, pessoas de todas as idades pegam seus trenós, bicicletas e esquis para descer a montanha no embalo. A subida pode ser feita com uma cremalheira ou a pé, o que exige um esforço de atleta olímpico e atenção de coelho para não ser atingido por um dos bólidos descendentes. No cume existe um mirante, do qual é possível se avistar a grande cadeia de picos de quatro mil metros no horizonte, mas isso só se o céu não estiver encoberto. Para quem quiser tomar uma boa cerveja ou degustar alguns pratos típicos, o restaurante Gurten Kulm é a grande pedida. Poucos metros distantes está o parque com um trem em miniatura. Ele funciona como os de verdade, com piloto, túneis e até mesmo locomotivas à vapor.

A subida....

E a vista lá de cima...
2010 Alexander Thoele - Switzerland