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admin | 1:25 am | janeiro 13, 2010 | Divertido

Caros leitores, desculpem-me por abusar da letra da maravilhosa canção do Chico Buarque com essa paródia barata, mas é mais ou menos assim que irei me despedir de vocês por algumas semanas, e também do frio europeu, para entrar em merecidas férias.
Depois de um ano atribulado, vou embarcar no avião e contar até dez de olhos fechados para chegar em um lugar onde os termômetros estão marcando atualmente pouco menos de 25 graus centígrados. E, acreditem ou não, o mar tem as mesmas temperaturas. Para dar uma dica: essa é a terra do sururu, de Teotônio Vilela e do presidente que fugiu levando minhas economias escondidas na sua meia. Deu para adivinhar?
Na foto acima está o parquinho infantil frequentado por várias crianças do meu bairro em Berna. O frio não impede que elas saiam de casa para brincar de esconde-esconde entre os arbustos sem folhas ou de fazer bonecos de neve. Enquanto isso, como revela o sempre bem informado jornal diário Tagesanzeiger, diversos jornalistas da televisão helvética estão realizando atualmente reportagens em países mais quentes: palmeiras em Dubai, praias caribenhas em Granada ou elefantes no Vietnã. O tom da matéria é mesmo de inveja dos que ficaram.
Eu não estarei trabalhando durante esses dias, mas prometo a todas as pessoas interessadas nesse pequeno país encravado nos Alpes, transmitir notícias interessantes que meus amigos estarão me enviando pelos canais eletrônicos. O próximo grande evento é o Fórum Econômico Mundial. Estou curioso para saber qual a solução dos poderosos para os problemas que eles nos criaram.
Mas sem estresse. Abaixo está a "caixinha de areia" onde estarei brincando durante as próximas semanas com uma cervejinha ao lado. Um grande abraço a todos…

admin | 6:16 pm | janeiro 11, 2010 | Economia

Durante o inverno existem temas que são sempre abordados pela imprensa. Um deles é a questão dos moradores de rua. Só na Alemanha morreram dez pessoas nos últimos dias por estarem dormindo ao ar livre, apesar das temperaturas siberianas das últimas semanas.
Aos leitores cientes do amplo sistema de assistência social existentes em muitos países da Europa do norte, dou o braço a torcer: de fato, ninguém precisaria dormir nas calçadas, sobretudo nessa época do ano. Existem diversas redes de amparo como alojamentos emergenciais, asilos mantidos por igrejas e outras organizações caritativas e até mesmo navios ou albergues da juventude. Além disso, essas pessoas recebem também uma quantia mínima de dinheiro para garantir a sua sobrevivência.
Porém os problemas do morador de rua aqui são diferentes dos do Brasil. Muitos deles consideram-se fora da sociedade. Para eles é difícil aceitar as regras de muitas instituições, que proíbem o consumo de álcool ou drogas, trazer cães para os alojamentos e os horários de abertura e sono. Também o medo de violência nos abrigos coletivos é grande. No final, muitos preferem se virar sozinhos na noite e dormir em algum lugar protegido nas ruas. Para enfrentar o frio de até – 15 graus negativos, um cobertor, o calor do cachorro e bastante álcool.
Um repórter do jornal suíço Tagesanzeiger tentou passar uma noite de morador de rua em Zurique. No seu texto ele mostra como foi enxotado todas as horas pela polícia ou proprietário dos imóveis. A história me lembrou da minha única experiência de desabrigado.
Era estudante e havia perdido o último trem que me levaria de Rostock, ao norte da Alemanha, de volta à Berlim. Sem dinheiro e em pleno inverno, procurei por todos os lados um local para descansar até às seis horas da manhã, quando então sairia o primeiro trem. Não havia sala de espera. Quando o último bar da cidade fechou, me encontrei no frio e sem alternativas. Então entrei em trem parado na estação, torcendo para que ninguém me descobrisse dormindo em cima de um banco. Fui acordado apenas pela limpeza, mas que me alertou para os perigos do local: além da polícia, Rostock era o paraíso dos skinheads, loucos para dar porrada em estrangeiros como eu…e moradores de rua. Não consegui mais pegar no sono.
Quem se interessa pelo tema, recomendo uma reportagem do famoso jornalista alemão Günter Wallraff (o mesmo do livro Cabeça de Turco). O vídeo começa aí embaixo…
admin | 5:33 pm | janeiro 7, 2010 | Cotidiano
São Pedro deve estar vivendo seu inferno astral. Leio no Globo que as chuvas no Brasil já mataram mais de uma centena de pessoas, sem falar nos milhares de desabrigados. Enquanto isso, Portugal e Espanha ameaçam se transformar em deserto – só em Portugal foram mais de 10 meses sem chuvas no ano passado.
E em meio ao debate sobre o aquecimento global, a Europa vive atualmente um período de frio recorde, com grandes precipitações de neve em vários países. Na Suíça, o serviço meteorológico prometeu ao sul dos Alpes meio metro de neve na sexta-feira. Enquanto turistas e amantes dos esportes de inverno já preparam seus esquis para um final de semana cheio da massa branca, as autoridades alertam também para o grande perigo de avalanches.
As diferenças são grandes, mas os riscos os mesmos: se nos domingos de praia lotada no Rio são dezenas de banhistas que podem se afogar, muitas vezes por falta de atenção, também nas montanhas suíças existe gente que não está nem aí para as regras mínimas de segurança (clique AQUI para ler artigo).
Com os incidentes dos últimos dias, descobri que existem equipamentos especiais para pessoas que vão passear nos lindos cenários cobertos de branco e não querem ser soterrados pelas avalanches. Não sabia que isso existia.

Dois aparelhos importantes estão na foto acima: o LSV (à esquerda), sigla para o quase impronunciável "Lawinenverschüttetensuchgerät" (aparelho de busca para soterrados em avalanches), e o Avalung (dir.), uma espécie de máscara de respiração para retirar o ar da neve e impedir que a pessoa morra sufocada.

Outros dois aparelhos que não podem faltar na mochila: a pá de neve e a sonda de avalanche, que deve ser dobrável e serve não apenas para encontrar a pessoa soterrada, mas também para marcar a sua posição no local.

Importante é ser prevenido. Dois aparelhos úteis e bem modernos são o Recco (esq.) e o Airbag de avalanche. O primeiro serve para detectar o sinal enviado pelo LSV da vítima. Obviamente ela não pode ter esquecido de levá-lo no bolso antes de fazer seu passeio na neve. Já o airbag é, como o nome diz, é o aparelho que pode ser acionado manualmente antes da avalanche chegar para impedir choques graves com pedras, madeira e outros objetos que vem no embalo.
Além disso, os especialistas aconselham ao turista também levar no bolso um celular com as baterias carregadas (e crédito, obviamente), estojo de primeiros-socorros e GPS ou outros equipamentos de orientação.
Com tanto peso para carregar, penso se os passeios estilo "freerider" nos Alpes valem mesmo a pena. Acho que prefiro riscos mais no estilo como pegar uma insolação durante cochiladas na cadeira de praia ou se um folha de palmeira cair na cabeça.
admin | 5:00 pm | janeiro 6, 2010 | Cotidiano

Uma onda de frio se abate sobre a Europa. Segundo os serviços de meteorologia da Suíça, até a sexta-feira as regiões mais elevadas devem receber entre 50 e 100 centímetros de neve fresca. Enquanto isso, a Inglaterra vive seu mais longo período de frio desde 1981. Carros presos, aeroporto fechado e estradas bloqueadas: a neve traz mais problemas do que as pessoas imaginam.
Quando era criança no Rio de Janeiro, adorava assistir os filmes natalinos com as cenas pitorescas de crianças fazendo bonecos de neve e as pessoas utilizando casacos pesados nas ruas. Para ter uma sensação próxima a isso, abria o congelador da nossa geladeira e raspava o gelo da sua superfície. Fazia uma mini-bola de neve, que logo se derretia na mão. Então imaginava o que seria estar em um gigantesco freezer, apesar de o termômetro marcar 38° graus no calçadão de Copacabana. Isso sem falar nos ovos cozidos no asfalto das ruas de Bangu.
A primeira vez que vi a neve caindo na Europa, achei tão fantástico que a minha primeira reação foi…abrir a boca ao céu. Depois tirei a camisa e me joguei na camada branca cobrindo um parque de Berlim. Tentei fazer um boneco de neve, mas a tarefa parece mais difícil na realidade do que nos desenhos animados. O cenário era tão irreal como esses calendários de agência de viagem ou a barba de algodão do Papai Noel nos shopping centers.
Porém o cotidiano no inverno é menos mágico. A foto acima mostra um dos problemas com o frio. Sair de bicicleta pela manhã escura (os dias são muito curtos) com as ruas cobertas de neve, por exemplo, é uma ação de kamikaze. Ela rapidamente se transforma em gelo, transformando tudo acima em patinador involuntário. Esquecer-se de colocar o plástico sobre o reboque é fatal: os pimpolhos, já de mau humor por estar há dias sem sair de casa, choram e esperneiam. Não é à toa: para sair, precisam vestir mais camadas de roupa do que cebola. E no final, a gripe de um se transforma em epidemia caseira.
Por isso saí de casa hoje pela manhã e fui de bonde ao trabalho. Os pés frios fizeram aumentar a cadência dos espirros. Pela janela só vejo o céu cor cinza-cubatão. Aos colegas, prometi que não apenas iria lavar as mãos com álcool, mas até beber a garrafa inteira também. Quem sabe espanto assim qualquer vírus. Ai que saudade do verão!
admin | 5:51 pm | janeiro 4, 2010 | Cotidiano, Vídeos

Enquanto acompanho estarrecido as notícias sobre os deslizamentos em Angra dos Reis e na Ilha Grande, lugares onde estive tantas vezes, também não consigo tirar o olho das manchetes relativas a um trágico incidente ocorrido nas montanhas aqui perto de casa: avalanches provocam a morte confirmada de quatro pessoas, inclusive de um médico das equipes de socorro. Mais três pessoas ainda estão desaparecidas (clique AQUI para ler a história).
O incidente ocorreu em Diemtigtal, um vale nos Alpes bernenses muito frequentado por turistas e esquiadores. Segundo o Instituto de Pesquisa da Neve e Avalanches (SLF, na sigla em alemão), uma organização única no mundo, o perigo era no momento considerado "relativo" (o segundo mais baixo nível dos cinco de perigo), porém isso incluía a possibilidade de um acidente provocado por terceiros como a queda de um esquiador em um ponto elevado. Segundo o SLF, 30% das mortes provocadas por avalanches ocorrem nesse nível. A imagem acima, tirada da TV, mostra como as equipes tentam desesperadamente encontrar os soterrados.
Para o leitor ter uma ideia do que é uma avalanche, apresento aqui um vídeo que encontrei no You Tube. De um helicóptero é possível ver como ela se inicia e depois se transforma em um verdadeiro "tsunami" de neve. A vítima quase não tem chances de sobreviver. Em Diemtigtal, algumas delas foram desenterradas de uma camada de 2,5 metros de altura.
admin | 8:52 am | janeiro 3, 2010 | Uncategorized
Ufa, não agüento mais comer. O final do ano foi para mim, como muitas pessoas, também um período de excessos. Por isso decidi entrar em 2010 com alguns objetivos, sendo que o principal deles é ser mais moderado (em todos os sentidos).
Um texto que me inspirou bastante nesse sentido foi publicado no New York Times pelo jornalista e ativista político Michael Pollan. "Refeições tristes" já começa com um mantra que me impressionou imensamente: "Coma comida. Não em demasia. Em grande parte, plantas."
Quem acha tudo isso uma balela, precisa ver o engraçadíssimo blog sobre o paraíso do fast food, os Estados Unidos. Eu morro de rir ao ver as fotos, mas teria na verdade que chorar…
Porém este blog não quer ser um espaço pessimista. E para alegrar o domingo, apresento aqui um comercial suíço eleito como o melhor de 2009. É genial!
2010 Alexander Thoele - Switzerland