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US$ 395 bilhões pulverizados em um mês1 Comment

admin | 2:12 pm | dezembro 19, 2008 | Economia

Clientes tirando seu dinheiro do banco Northern Rock na Inglaterra em 2007.

Sim, caros leitores, esfreguem mais uma vez os olhos com as mãos: essa é a soma astronômica que foi dizimada pela crise financeira nas fortunas administradas pelos bancos suíços. Em apenas um mês, os títulos e outros valores perderam 10% do seu valor.

No final de outubro de 2008, a soma das fortunas de clientes nos bancos chegava a 4083 bilhões de francos (US$ 3715 bi), como mostra o caderno de estatísticas de dezembro do Banco Nacional Suíço (SNB, na sigla em alemão). Isso significa 434 bilhões de francos (ou US$ 395 bi) a menos - ou 10% - do que no mês anterior.

Com tantas cifras, planos de socorro financeiro e de investimento público para salvar a economia, as pessoas estão perdendo a noção dos valores. Milhões, bilhões ou trilhões já não fazem mais diferença. Porem é interessante comparar os números: o SNB relata que o número recorde da fortuna administrada pelos bancos helvéticos foi em outubro de 2007: 5420 bilhões de francos (US$ 4932). Deixo a vocês o exercício de comparar esses números com o relatado no parágrafo acima.

Mas para se ter uma idéia da dimensão do dinheiro que estamos falando, vamos comparar com o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de tudo que é produzido no país - do Brasil no primeiro semestre de 2008, como foi publicado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): R$ 1382 bilhões (ou aproximadamente US$ 570 bi).

Assim vemos que a hecatombe econômica que vivemos, um processo que se iniciou pela falta de controle nos mercado, alimentado pela ganância de alguns banqueiros e multiplicado pela ignorância dos poupadores, é capaz de atingir até as poupanças que escondemos embaixo do colchão.

Foto: Em Birmingham, no início de 2007, fila de clientes diante do Banco Northern Rock, o primeiro banco a sofrer intervenção na Grã-Bretanha, desde 1860 - Wikipédia


Procurado: a mais bonita “maravilha” da natureza.0 Comments

admin | 6:35 pm | dezembro 18, 2008 | Cotidiano

Matterhorn

As Sete Maravilhas da Humanidade já existem. Agora a fundação New 7 Wonders conclama todos os habitantes do planeta a votar na mais espetacular maravilha da natureza. Até agora, as mais fantásticas paisagens, montanhas, rios, cachoeiras ou mares de todos os mundos foram nomeados. Até o final do ano é possível dar uma sugestão. As 77 maravilhas naturais mais votadas serão reduzidas a 21 por um júri. Entre 2010 e 2010 os habitantes da Terra poderão afinal escolher as 7 maravilhas.

Criada pelo suíço Bernard Weber, a New 7 Wonders já teve o sucesso de organizar a escolha das 7 maravilhas históricas ainda existentes, já que apenas uma, as Pirâmides de Gizé ainda estão de pé (as outras incluem maravilhas desaparecidas como os Jardins suspensos da Babilônia). Do processo de seleção participaram mais de 100 milhões de pessoas.
Quanto às maravilhas naturais, a Suíça já tem três candidatos: as geleiras do Aletsch e as montanhas de Matterhorn e Monte San Giorgio.

Foto: Matterhorn - Wikipédia


Solidariedade americana1 Comment

admin | 3:21 pm | | Política, Vídeos

Até americanos já estão pedindo a liberdade do jornalista iraquiano Muntader al-Zaidi, que rapidamente está se transformando em uma espécie de herói mundial. A ONG Code Pink - mulheres pelo pacifismo protestou recentemente através de cartazes expostos durante uma palestra dada pelo embaixador iraquiano nos Estados Unidos. Constrangido, Samir Sumaida respondeu simplesmente afirmando que o jornalista é uma pessoa de sorte pelo fato das suas vítimas terem sido Bush e Maliki e não Saddam Husseim. “Pois senão vocês estariam carregando um outro cartaz”. Tradução: o cartaz estaria pedindo os restos mortais e não a liberdade de al-Zaidi. Será que existe uma diferença? Hoje o jornalista teria de ser levado para julgamento, mas nenhuma foto dele foi publicada. Seus irmãos dizem que ele foi severamente torturado. Será que teremos em breve um mártir?


Libertem Muntader al-Zaidi!!!!2 Comments

admin | 10:27 pm | dezembro 17, 2008 | Política, Vídeos

muntader-al-zaidi

Caros leitores: meu plano inicial era de publicar hoje o meu último post do ano. Estou fechando a “loja” para entrar em boas e merecidas férias. Em breve estarei embarcando para o Brasil à procura das origens, da praia, das risadas com os meus conterrâneos e da boa comida. Porem a história do jornalista iraquiano que jogou um par de sapatos contra o presidente americano George W. Bush me comoveu. Esse gesto, que na cultura árabe é um dos mais fortes insultos que se possa fazer, foi acrescido do insulto verbal “cão”, considerado um animal vil, e a lembrança a todas as vítimas, viúvas e órfãos causados pela guerra lançada pelos americanos. Como jornalista, preciso dizer que admiro a coragem desse jovem iraquiano e colega de profissão. Afora qualquer discussão sobre seu profissionalismo, precisamos lembrar que Muntader al-Zaidi também foi seqüestrado por quadrilhas xiitas e posteriormente por americanos. Depois do incidente onde ele jogou os dois sapatos contra o estadista americano - que mostrou grande destreza ao se desviar - o jornalista foi espancado por seguranças e depois preso. Vários jornais, como o NYT, noticiam que ele pode ter sido torturado e estar sob tratamento médico. Ao mesmo tempo, iraquianos de várias correntes religiosas protestam nas ruas para pedir sua libertação. No meu pequeno espaço web, gostaria aqui de manifestar minha solidariedade e apreço. Se tivesse coragem, já teria jogado em muitos políticos que encontrei sapatos, sandálias e preferencialmente até tamancos holandeses. Meus colegas da ONG Reporters sans frontières também se solidarizam. Libertem Muntader al-Zaidi!!!!

Primeiramente a cena original…

Povo iraquiano se despede de Bush com sapatos…

As reações árabes no Youtube


Fazedor de suíços0 Comments

admin | 12:27 pm | dezembro 15, 2008 | Cotidiano, Divertido

Die Schweizermacher

O jornal “Tagesanzeiger” traz hoje uma história que me choca. É a de Massimiliano Luzio, um italiano de segunda geração que teve seu pedido de naturalização negado com a desculpa de que está pouco integrado à Suíça. Curioso é ler a sua história e descobrir que ele nasceu em Horgen, um vilarejo às margens do lago de Zurique, cresceu em Locarno, freqüentou a escola em Zug e depois estudou informática na Escola Politécnica de Zurique. Hoje Massimiliano tem um cargo de direção no UBS e viaja todos os dias entre Freienbach, onde vive, e Zurique, onde está seu trabalho. Como é de praxe na Suíça, o processo de naturalização passa por três níveis: comunal, cantonal e federal. Em cada um deles o pedido precisa ser aprovado para que o estrangeiro possa se tornar suíço. No caso do pobre italiano, seu requerimento foi indeferido pelo conselho comunal e até pelo voto popular dos habitantes. Questionado pelo jornalista, um cidadão justificou sua oposição: “ele não será naturalizado, pois não se adaptou às tradições suíças”. Mas por quê? “Temos aqui 150 associações e ele não faz parte de nenhuma delas”. Até o prefeito da pequena localidade deu sua opinião: “Não vejo nenhuma integração da parte dele. Ele dá impressão de ser totalmente italiano, que só quer ser suíço pela praticidade”, disse Kurt Zurbuchen, completando também que “ele tem péssimos conhecimentos do nosso sistema político e que qualquer trabalhador braçal do Kosovo sabe mais do que ele”. Enquanto Freienbach recusou o pedido de Massimiliano, 11 estrangeiros originados da ex-Iugoslávia, Turquia, Sri Lanka e França conseguiram seu valioso passaporte vermelho com a cruz branca. Para entender um pouco o contexto da notinha, sugiro ao leitor assistir “O Fazedor de Suíços” (1978), do diretor Rolf Lyssy, um dos filmes mais engraçados que já vi na vida.


O suíço mais detestado da Alemanha0 Comments

admin | 11:17 am | dezembro 12, 2008 | Economia, Vídeos

Protesto contra ajuda a bancos alemães.

Alemã protesta em 30 de novembro contra a ajuda oficial aos bancos do país. No cartaz: a famosa foto de Josef Ackermann com os dedos em riste e a frase “Ackermann e companhia devem pagar. Não pagamos pela crise de vocês. Pela estatização dos bancos”. (foto: Keystone)

O filho de médico originário do povoado de Mels, no cantão de St. Gallen, já foi um brilhante banqueiro na Suíça. Desde 2002 ele comanda o Deutsche Bank, o maior banco alemão, que inclusive tem se saído melhor na crise do que outras instituições do porte. Estamos falando de Josef Ackermann. Como explica o jornal Blick, os alemães nunca tiveram grande simpatia por ele. Em parte deve-se ao astronômico salário que o suíço recebe - 14 milhões de euros em 2007, o que muitos analistas consideram como uma prova que os vizinhos do norte vivem na cultura da “inveja”. Também o famoso gesto com os dedos em riste fazendo um “V” de vitória, ao ser absolvido em um processo contra pagamentos excessivos feitos aos ex-executivos da finada Mannesmann, não trouxe muitos pontos de popularidade a Ackermann. Agora uma pesquisa de opinião feita pelo instituto Emnid, encomendado pela revista Playboy alemã, revela que ele só é mais detestado no país do que a modelo e apresentadora americana Paris Hilton: 96% dos entrevistados lhe deram um voto negativo. Além disso, até mesmo artistas alemães participam na campanha contra o banqueiro. Vocês podem ver abaixo o vídeo-clip do berlinense Marc-Uwe Kling, que faz uma paródia pedindo até a cabeça do suíço. Agora as especulações dizem que Ackermann está cotado para ser o futuro chefe do UBS, o maior banco suíço. Se isso for concretizado, será que ele será mais querido no seu próprio país? A maré está negra para banqueiros hoje em dia.


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2008 Alexander Thoele - Switzerland